Economia #Economia A questão do dólar e o poder da compra da moeda

#Economia A questão do dólar e o poder da compra da moeda


Por Fábio Almeida

O aumento do dólar tem desdobramentos negativos na economia brasileira e dos países emergentes. A subida do dólar em relação ao Real ocorre não apenas como um fator macroeconômico global, mas também por causa dos elementos internos do Brasil que ajudam a pressionar o câmbio para cima. Em três meses a moeda americana se valorizou 21,80% em relação ao Real. Assim, os temores de que ocorra uma desvalorização cambial ao estilo da ocorrida em 2015, quando, após a reeleição de Dilma o dólar saltou de R$ 2,20 para R$ 4,24 são bastante fundamentados. No mercado, há muitos analistas que asseguram que o dólar chegará a R$ 5,30 durante as eleições mesmo com as intervenções do Banco Central.

Gráfico 1: evolução da taxa de câmbio (reais por dólar) de janeiro de 2014 até hoje (14/06/2018)

É sabido que em ano eleitoral as turbulências cambiais são comuns, como a ocorrida no ano de 2002. Deste então, o quadro fiscal se deteriorou ainda mais. O déficit nominal acumulado em 12 meses está em R$ 500 bilhões, o que implica na necessidade do governo de tomar emprestado esta quantia por ano para poder fechar suas contas. O déficit nominal brasileiro equivale a 7,5% do PIB, enquanto o americano equivale a 3,5% do PIB, o do Reino Unido é de 2,3% do PIB, e os dos países da zona do euro são em média 0,9% do PIB.

Devido à incapacidade do governo de cortar gastos, a forma como o orçamento público é estruturado no Brasil, e a falta de reformas que o país precisa para reorganizar suas finanças, os investidores estrangeiros começam a ficar cada vez mais pessimistas quanto à capacidade do governo brasileiro de honrar suas dívidas.

Como nenhuma reforma está no horizonte pra ser votada, o funcionalismo público não abre mão de seus privilégios, as ineficiências da máquina pública permanecem intocadas, a incerteza das eleições, e o ceticismo dos investidores que estão saindo do Brasil, forma-se no horizonte um cenário que poderá resultar em uma grave crise cambial, o que inviabilizaria o próximo presidente eleito, seja quem for.

Ludwig von Mises em sua obra The Theory of Money and Credit(A teoria do crédito e do dinheiro), sustenta uma premissa sagaz: o determinante fundamental da taxa de câmbio entre duas moedas é o poder de compra relativo de cada uma delas. Ou seja, a taxa de cambio entre duas moedas independentes se trata da paridade do poder de compra entre elas. Assim, quanto mais se desvaloriza o Real em relação ao dólar, menor será o poder de compra da população brasileira que, perderá não apenas poder de compra, mas também irá ter de pagar mais caro por combustível, produtos eletrônicos, trigo, soja, química fina para fabricar remédios, pois todos são negociados em dólar.

Daí a importância do cenário eleitoral deste ano. Caso um populista ou um candidato anti-reforma seja eleito, não haverá como segurar o câmbio e, a depender do preço que chegue o dólar, o próximo governo estará totalmente inviabilizado tanto pela intensa fuga de capitais que ocorrerá, quanto também devido aos efeitos na inflação e, principalmente: por causa da incapacidade do governo de pagar suas contas, pois não terá como financiar os seus 500 bilhões de déficit no mercado.

A sociedade brasileira também precisa prestar atenção no candidato que defender a desvalorização do câmbio com o discurso de que isso ajudará a indústria brasileira a exportar. Países não exportam por causa do câmbio, exportam devido à produtividade, e a competitividade no mercado global. Algo tão óbvio que muitos economistas e candidatos ainda não aprenderam, apesar das desastradas políticas cambiais e industriais feitas no Brasil ao longo de seus mais de 500 anos.

Ainda hoje entre economistas heterodoxos que assessoram alguns candidatos, paira a crença de que desvalorizar o câmbio é uma solução mágica para as nossas agruras econômicas.  No entanto, seu efeito prático consiste em destruir a renda da população (principalmente dos mais pobres que não podem fazer investimentos e comprar dólar), pois eleva o custo dos insumos, da produção de remédios e alimentos, dos combustíveis, enfraquecendo toda cadeia produtiva.

É preciso ficar atento mais do que nunca com os discursos dos salvadores da pátria, que tem na política de desvalorização do Real uma ilusão já testada por diversas vezes com o mesmo resultado: inflação, instabilidade monetária, calote do governo e aumento da desigualdade. Em qualquer país civilizado, o poder de compra da moeda é inegociável.

Economista.

Elielson Lima 14 jun 2018 - 8:54m

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