Governo – Pandemia não acabou
Opinião

Artigo aborda tema da Campanha da Fraternidade 2016 e o cuidado com o Rio Capibaribe, por Maicon Nunes


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Logo depois do carnaval foi lançada a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 com o tema: Casa comum: Nossa responsabilidade. Como já é tradição, a CNBB (Confederação dos Bispos do Brasil) todo ano lança temas para a reflexão de toda a sociedade durante a quaresma. Esse ano apresenta um tema sensível às nossas realidades e que unem todos os cristãos e não cristãos, ao propor a importância do cuidado com o meio ambiente e nossa “casa comum”, o nosso Planeta Terra.

Em um momento onde o consumismo insustentável está se sobrepujando às vidas (de seres humanos e os outros animais terráqueos), a necessidade de refletirmos sobre as atuais mudanças – climáticas e sociais – é imperativa para a sobrevivência de todos os que habitam o planeta.

O consumismo desenfreado é, sem dúvida, o principal motivo que leva a utilização de nossos recursos naturais muito além das necessidades humanas e ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, que são responsáveis pelo aquecimento global e que produzem catástrofes climáticas irreversíveis em diversos continentes.

É também o consumismo o responsável pelo desmatamento, pela produção de alimentos transgênicos e pela utilização totalmente descontrolada de agrotóxicos nas lavouras, que contaminam mananciais, promove o assoreamento de rios e a destruição de nossas bacias hídricas. Um detalhe dessa tragédia diária: mesmo com um falso aumento da produtividade agrícola, toda a utilização dessa parafernália tecnológica não tem como objetivo acabar com a fome no mundo. Aliás, a fome cresceu nos últimos 20 anos, fruto de guerras e da selvageria do capitalismo global.

Por outro lado, a falta de tratamento de esgotos, existência de lixões a céu aberto e a pobreza extrema é também fruto do capitalismo em sua forma mais perversa, que prega a exploração do homem pelo homem na forma de trabalho análogo à escravidão ou em condições insalubres e humilhantes. Não podemos aceitar que, ainda hoje, a totalidade dos municípios do Vale do Rio Capibaribe despejem, sem tratamento, seus esgotos em um dos mananciais mais importantes de Pernambuco. É terrível saber que o Capibaribe encontre-se com suas margens quase totalmente desmatadas ou assoreadas. Ele que é para uma dezena de cidades, dentre elas Paudalho, motivo de existência, pois foi nas margens do nosso Capibaribe que povoados do Vale se transformaram nos atuais municípios. O que o Papa Francisco nos ensina na Encíclica Laudato-si a necessidade de cuidarmos da nossa casa e mãe, a Terra.

Compartilhamos, pois, desta admoestação na oportuna Campanha Ecumênica da Fraternidade, que traz uma pauta única aos viventes do planeta, independente de religião: ou cuidamos de nossa casa e mãe, a Terra, ou estaremos com os dias contados. A pauta política para 2016, portanto, deve conter o tema sustentabilidade como um dos focos principais, para conduzir desde já ações governamentais ou não-governamentais. É possível, sim, garantir a utilização dos recursos de nosso planeta para as gerações vindouras, mas para isso se faz necessário a mudança de pensamento de cada um dos homens e mulheres que hoje moram nesta grande casa chamada Terra. “…Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas…” (São Francisco de Assis)

Dr. Maicon Nunes Martins Médico, paudalhense, fundador da Associação Médica Nacional, ativista social, militante do Movimento Negro Unificado, membro da Coordenação do Movimento Paudalho Merece Mais

 

Elielson Lima 26 fev 2016 - 20:16m

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