Governo – Pandemia não acabou
Governo Federal

Em Cabrobó, Dilma faz discurso com tom de despedida


Do Diario de Pernambuco – Aline Moura

Eram 16h44 de ontem quando Dilma Rousseff (PT) começou o último discurso em Pernambuco como presidente da República, caso não haja uma reviravolta. Em visita ao Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco, em Cabrobó, no Sertão, ela mencionou a resistência ao que chama de “golpe”, mas adotou um tom de despedida. “Pessoal, eu amo vocês”, começou, às 16h44, para depois fazer um breve balanço dos governos petistas.

“Se tiver uma coisa que eu vou ficar muito triste é não ver o dia em que a dona Maria ou o seu João vai abrir a torneira, ver a água escorrer e eu não estar aqui para comemorar. Quero dizer que meu coração vai ficar partido, porque é uma grande injustiça”, disse ela, ao lembrar a importância da água para o Nordeste e fazer referência à maior obra hídrica do país, iniciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ainda não concluída.

O discurso de Dilma durou 20 minutos e foi transmitido ao vivo pela NBR, TV estatal. Ela sorriu, fez coração com as mãos, um gesto que repete nas visitas aos estados, mas estava abatida e de olheiras visíveis. Poucos disputaram para posar nas fotos ao seu lado, diferente do que acontecia no início da sua gestão.

Apenas dois dos quatro governadores dos estados nordestinos beneficiados pela transposição estiveram presentes, Camilo Santana (PT-CE) e Ricardo Coutinho (PSB-PB). O governador Paulo Câmara (PSB) pela primeira vez faltou a um evento organizado pela Presidência em Pernambuco. Ele estava em Brasília, numa agenda administrativa e depois política.

O evento contou com a presença de agricultores, operários da obra e militantes petistas. Dilma aproveitou a ocasião para agradecer aos eleitores do Nordeste por terem votado nela, mesmo enfrentando preconceitos de outras regiões de país. Citou, ainda, a importância de Pernambuco na região, mas não mencionou o ex-governador Eduardo Campos, que faleceu.

“Aqui mora uma parte muito importante do Brasil, essa parte trabalhadora que tinha de sair daqui e construir este país lá no Sudeste, lá em São Paulo. Esse povo que deu ao país suas grandes lideranças, como é o caso do doutor Arraes”, declarou, ressaltando programas como Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e o Luz para Todos, que teriam mudado a face da região nordestina.

A presidente Dilma voltou a criticar o processo de cassação do seu mandato. Falou sobre o assunto pouco depois de a comissão de impeachment aprovar o relatório para o seu afastamento por 15 votos a 5. “Eles sempre quiseram que eu renunciasse. Sabe por quê? Você levanta o tapete e esconde a sujeira. Se eu renunciar, eu vou para debaixo do tapete. E eu não vou (…) Eles estão condenando neste impeachment uma pessoa inocente”, disse.

Sem citar nomes, Dilma também acusou seu vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e seus novos aliados de quererem reduzir programas sociais, como o Bolsa Família, que segundo ela, hoje beneficia 47 milhões de pessoas. “A conta do foco é a seguinte: só damos para 10 milhões (o Bolsa Família), os outros 36 que se virem. E é isso que eu não concordo. O voto que vocês me deram foi para garantir as políticas sociais”, declarou.

Elielson Lima 07 maio 2016 - 14:13m

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