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Economia #Economia Não existe crescimento econômico sem poupança e investimento

#Economia Não existe crescimento econômico sem poupança e investimento


Por Fábio Almeida*

Geralmente não se trata da poupança quando se fala em crescimento. Ao contrário, a discussão gira em torno de políticas destinadas à promoção do consumo e ao gasto público como fatores desencadeadores do crescimento. Todavia, consumo e gasto público não produzem desenvolvimento, pois se a sociedade consumisse todos os recursos disponíveis, sem poupar nada, não haveria como gerar bens de capital. Uma sociedade consumista não teria moradia, fábrica, infraestrutura, universidades, escolas, hospitais, porque é da poupança e do investimento que tudo se torna viável.

O governo brasileiro ao longo de sua história vem tentando impulsionar o crescimento por meio do gasto público e do consumo. Fez política industrial, proteção de setores, expandiu o crédito subsidiado, substituiu importações, fez zonas de proteção (Zona Franca de Manaus é um exemplo), e mesmo assim não colheu crescimento sustentável. Ao contrário, conseguiu apenas déficit público, e distorções no funcionamento da economia.

O empreendedor nasce da poupança direta ou indireta, pois ele próprio poupou e fez seu capital; herdou a poupança (o capital) de sua família; ou tomou o dinheiro emprestado (fruto da poupança de terceiros) para abrir seu negócio. Da criação de novos empreendimentos são gerados bens e serviços, que não apenas atendem a demanda, mas geram empregos, e também tributos para o governo. É assim que é gerada a riqueza e a prosperidade de uma sociedade.

Por não priorizar a poupança como um dos elementos indutores do crescimento, esta vem caindo de maneira considerável e, consequentemente, o investimento. Sem poupança um país é obrigado a recorrer ao mercado de capitais internacional para financiar o próprio investimento. E, isto, gera juros altos, aumento da dívida pública, valorização do câmbio, e pressões inflacionárias. No gráfico 1, logo abaixo, é possível perceber o quanto a taxa de poupança no Brasil é relativamente baixa:

 

A taxa de poupança do Brasil só é maior do que a da Turquia, e da África do Sul. Representa apenas metade da taxa de poupança da Coreia do Sul. É menor que a do Chile, Colômbia, Argentina, Peru, Bolívia e Equador. Além desta constatação, no Gráfico 2, logo abaixo, é possível verificar que a taxa de investimento também vem caindo, afetando diretamente o crescimento do país.

 

No gráfico 2, é possível perceber que a partir do final dos anos 1980 a taxa de poupança e de investimento começaram a cair simultaneamente. A taxa atual de poupança é de 14%, e a de investimento em torno de 18%, números infinitamente abaixo de todos os países do mundo que ostentam um crescimento sustentável.

A falta de poupança doméstica somada a grande parte da dívida do setor público vinculada em Real, tem contribuído para a acumulação de reservas. Todavia, a acumulação de reservas não é efetiva para impedir o processo de valorização do câmbio, tendo em vista a baixa poupança do setor público, que necessita imitir dívida doméstica para recomprar os Reais que emitiu para adquirir reservas.

Não há como o Brasil crescer de maneira sustentável sem poupança doméstica e taxas maiores de investimentos. Para isto, é necessário corrigir as distorções nos vários setores da economia, atacar de maneira efetiva o problema fiscal brasileiro, reduzir o gasto público, desburocratizar, atrair investimentos em tecnologia e capital humano, apostando no empreendedorismo, na liberdade econômica e no comércio internacional para elevação da poupança doméstica e, consequentemente, do nível de investimento, o que resultaria em crescimento sustentável no médio e longo prazo.

*Economista.

Elielson Lima 21 jun 2018 - 8:58m

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