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Economia #Economia O que aconteceu com a Venezuela?

#Economia O que aconteceu com a Venezuela?


Por Fábio Almeida*

 A Venezuela não se encontra em crise. Crise neste caso trata-se de um eufemismo, pois o que está ocorrendo é uma depressão econômica. Embora o governo não ofereça dados formais acerca das contas do país, empresas especializadas e organismos internacionais calculam que, apenas em 2017, a redução do PIB foi de 14%. Só nos últimos quatro anos, o tamanho da economia venezuelana foi reduzido em 34%. O déficit fiscal gira em torno de 15% do PIB, e a inflação do ano passado foi de 2.700%. A Venezuela é um dos grandes casos de naufrágio social e econômico da América Latina.

O que se convenciona chamar de esquerda no Brasil criou uma narrativa para dizer que o colapso da economia venezuelana teria ocorrido por causa dos preços do petróleo. Por causa das multidões de venezuelanos que fogem para o Brasil (são mais de 40.000 venezuelanos), a desnutrição, escassez geral de produtos, esta narrativa perdeu a sua utilidade na discussão política.

Atualmente, a cesta de petróleo bruto da Venezuela custa cerca de 60,00 dólares (R$ 229,80) um valor considerável para petróleo bruto. A petroleira venezuelana (PDVSA) se tornou praticamente a única fonte de receita do país, e devido à má gestão, e os efeitos da excessiva intervenção estatal, vem passando por sérios problemas, a produção diária de barris caiu de 700.000 mil para 300.000 mil barris.

O modelo de desenvolvimento e de organização da econômica implantado por Hugo Chaves foi absolutamente intervencionista em todas as áreas de produção. Além disto, sistema judiciário, educacional e politico foram aparelhados por chavistas. Foram criadas estruturas e organizações coletivistas absolutamente disfuncionais, que servem apenas para apoiar o regime chavista. Passaram a controlar dividas, intervindo pesado nos preços de bens, produtos e serviços, apropriando de forma agressiva dos ativos do setor privado, além de aumentar de forma generosa os gastos com programas sociais com o intuito de ganhar votos.

O setor privado foi sendo espremido pela intervenção estatal. Os aumentos frequentes e compulsórios de salários, a tentativa de baixar os preços de maneira unilateral, destruíram não apenas o empreendedorismo, mas também a moeda, uma vez que para comprar 1 dólar são necessários a inacreditável soma de 120.000 bolívares.

O governo também controla as importações e os portos, e ajudou ainda mais a agravar os efeitos da crise econômica, pois o excesso de burocracia e os valores dos subornos cobrados resultaram em perdas de carregamentos de alimentos e medicamentos. Atualmente, o índice de desabastecimento na Venezuela gira em torno de 60% em todos os segmentos.

O regime chavista também implantou uma reforma agrária que estimulava invasões e ocupações de terra, solapando os direitos de propriedade dos donos das terras (qualquer semelhança com o MST não é mera coincidência). Outro fator foi o estabelecimento de um sistema constitucional baseado em direitos positivistas, requerendo do Estado um papel ativo nas questões econômicas a fim de garantir os direitos dos cidadãos (qualquer semelhança com a crença brasileira de que todos são portadores de direitos, sem deveres).

Outro ponto também defendido pela suposta esquerda foi o aumento de impostos, e a taxação de grandes fortunas. Os impostos foram triplicados em 36%, a fim de estimular os gastos públicos do governo. Isso não apenas reduziu a arrecadação, pois o nível de impostos passou a ser impagável. E, quem tinha grandes fortunas e passou a ser espoliado pelo governo, tirou o dinheiro do país e foi investir em outros países. Assim, o governo passou a ter déficits fiscais cada vez crescentes por causa da fuga de capitais, e também pelos crescentes e incontroláveis gastos com os programas sociais.

Diante do exposto, é possível perceber que o regime chavista colocou em prática todas as receitas ideológicas (seja esquerdista, nacionalista, militarista, corporativista) que se opõem a liberdade econômica, e a economia de mercado: controle de preços; impressão desmedida de dinheiro; estatizações; expropriação da propriedade privada; generosos programas assistencialistas; planejamento centralizado; dominação ideológica das escolas e universidades; aumentos seguidos de salários; conservação dos setores estratégicos; e toda uma retórica contra privatizações, redução do Estado e ideais liberais.

Os resultados destas medidas destruíram o já escasso capitalismo venezuelano. A intervenção estatal na economia foi efetuada no sentido de inaugurar o que Hugo Chaves chamava do socialismo do século XX,redistribuindo as massas todo o que foi produzido por elas. O resultado deste laboratório econômico é assustador: pessoas matando cachorros para comer, saqueando o pouco que resta em supermercados, ou morrendo de inanição.

Quando se politiza a economia, se empobrece toda a sociedade, foi o que se viu na Venezuela e também em outras nações. Sem liberdade econômica, um sistema livre de preços, não se pode criar riquezas, aumentar arrecadação, e buscar o equilíbrio das contas públicas, pois as distorções e as crescentes intervenções minam o funcionamento de todo sistema econômico.

Além disto, quando políticos e burocratas passam a querer controlar preços, dar subsídios para setores, gera-se ineficiências, déficits, gerando a perda do sistema de preços e, sem um cálculo real de preços, a moeda começa a perder o valor, vem à inflação, o desemprego, recessão, e toda a desestruturação econômica e social resultante deste processo.

A eficiência do mercado, o preço dos produtos, serviços e insumos devem ocorrer de acordo com as flutuações do mercado, e as preferencias dos consumidores, e não da intervenção estatal. No caso da Venezuela, este problema se tornou estrutural, a partir do excesso das intervenções constantes do governo chavista.

O brasileiro precisa olhar para Venezuela, e tomar cuidado com as excessivas intervenções do governo brasileiro na economia, a fim de atender um setor, reduzir preços ou fazer populismo para atender a maioria. O brasileiro pode escolher o caminho para uma gasolina de 0,4 centavos como no regime chavista, mas o preço será igual ao dos venezuelanos: não ter remédios; produtos básicos; utilizar carne de cachorro na dieta alimentar; entre outros. As urnas em 2018 apontarão para o caminho que a sociedade brasileira irá quer trilhar: o da intervenção estatal ou da liberdade econômica.

*Economista.

Elielson Lima 07 jun 2018 - 10:44m

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