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#Economia O resultado econômico da greve dos caminhoneiros e as rede sociais


Por Fábio Almeida*

Existe um consenso entre economistas que estamos vivenciando a quarta revolução industrial, que é influenciada diretamente pela revolução tecnológica que mudará completamente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Segundo Klaus Schwab em seu livro A quarta revolução industrial este processo transformará a humanidade completamente tendo em vista a escala das mudanças, o alcance, e sua complexidade.

Após a leitura da obra de Schwab lembrei-me de duas leituras de um grande estudioso da sociedade em rede, o sociólogo espanhol Manuel Castell, que escreveu alguns livros seminais sobre o assunto, com destaque para A Era da Informação: Economia, sociedade e cultura; The Internet Galaxy, Reflections on the Internet, Business and Society (A galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade); Castell descreve os efeitos da internet na sociedade em vários segmentos da vida humana, analisando as inúmeras mutações no tecido social. Tudo isto me levou a pensar nos impactos econômicos da greve dos caminhoneiros, a partir da publicação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) do mês de maio, uma vez que este movimento grevista foi desencadeado com enorme influencia das redes sociais.

A economia brasileira recuou 3,34% em maio na comparação com o mês de abril conforme o IBC-BR, que é considerado aprévia do resultado do PIB no período. O cálculo do IBC-BR incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. O IBC-BR é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. O crescimento ou desaceleração da economia influenciam na inflação, que o Banco Central busca controlar por meio da taxa Selic.Quando a comparação é feita com maio de 2017, a queda deste indicador fica em 1,54%.

Por causa da greve dos caminhoneiros a economia brasileira terá um crescimento ainda menor. Em um ano cuja retomada já é lenta devido aos efeitos da recessão passada, ao ocaso do governo Temer, falta de reformas estruturais, e uma campanha eleitoral que se desenha incerta, esta paralisação abalou fortemente a geração de empregos. Segue abaixo a figura 1 com os dados da economia com alguns dos setores avaliados:

Fonte: IBGE, IPEA, G1, Banco Central.

 

Como é possível verificar na figura 1, o impacto negativo da greve dos caminhoneiros foi bastante significativo em vários segmentos, com reflexos na inflação (subiu de 0,4% para 1,26%), na confiança do consumidor (caiu de 86,9% para 82,1%), e do empresário (caiu de 92,4% para 90,5%). Além disto, a queda no setor de serviços foi forte (-3,8%), e no investimento que já estava caindo teve uma redução ainda maior (-11,3%). E, quando se avalia os dados da produção industrial percebe-se o tamanho da tragédia: vinha de um crescimento modesto de 0,8 no mês de abril, e após a greve dos caminhoneiros caiu -10,9%. A título de comparação vejam a figura 2:

Fonte: IBGE, IPEA, G1, Banco Central.

 

De acordo com a figura 2, é possível perceber que o nível da queda da produção industrial se aproximou ao do período da crise financeira mundial ocorrida em 2008, quando a produção industrial brasileira caiu -11,2, e agora devido a greve dos caminhoneiros caiu -10,9%. Foi a maior queda do setor desde dezembro de 2008, sendo o segundo pior resultado da série histórica iniciada em 2002. A análise detalhada do desempenho deste segmento em maio mostrou que a indústria caiu em 14 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE.

De janeiro a maio de 2018, o IBC-BR aponta que o PIB brasileiro teve alta de 0,73%, sem ajuste sazonal. Diante disto, as projeções do crescimento do PIB de 2018 estão mais próximas de 1,5%. No início do ano chegavam a 3%. Nas minhas contas o PIB brasileiro terá crescimento entre 1% e 1,3%. Resultado medíocre tendo em vista o tamanho da capacidade ociosa, e após a maior recessão de sua história.

A resposta do Governo Federal para encerrar a greve foi mal assimilada pelo mercado. Resultou na queda de Pedro Parente, responsável pela gestão técnica que resgatou a Petrobras que caminhava para default. Além disto, abriu espaço para uma agenda atrasada que tanto prejudicou o país (Congelamento de Preços; Tabelamento). Isto resultou em uma deterioração dos ativos brasileiros, o que demonstra a percepção negativa dos investidores com o Brasil.

É evidente que o Brasil não está preparado para se beneficiar da quarta revolução industrial por causa de seu atraso tecnológico e educacional, bem como aos inúmeros problemas do Estado ineficiente e gastador, o que poderá resultar em dias difíceis para o país, caso não se inaugure uma agenda estrutural de reformas que proporcionem o ingresso nas cadeias globais de desenvolvimento.

No entanto, as mudanças processadas pelas redes sociais ao invés de ajudarem no acesso a informação e aprofundamento das questões políticas e econômicas, têm contribuído para aumentar a força de movimentos grevistas que difundem soluções simplórias para problemas complexos. A greve dos caminhoneiros é um exemplo clarividente. Tal movimento prejudicou a economia, influenciou no aumento do preço de determinados produtos, tornando ainda mais negativa à perspectiva do país.

As redes sociais se tornaram o reino daFake News. De discussões que estimulam o ódio, asfixiam o debate honesto acerca de ideias e dos problemas do país, e contribuem para que se tenha um debate eleitoral totalmente irracional, impulsivo (ou seria repulsivo), caricatural, com muita demagogia, retórica estridente, e memesnas redes sociais. As pessoas vivem semeando mentiras, meias verdades, defendendo seus candidatos ou grupos políticos sem questioná-los, sem buscar fontes de informações fidedignas, porque o que realmente importa é a defesa do político de estimação, a ânsia de vê-lo ganhar, como se a simples vitória eleitoral tivesse o condão de resolver todos os problemas do Brasil em um passe de mágica.

Não se questiona nem a mais estapafúrdia solução proposta, porque o que importa é a nova produção dememese Fake Newsque irá ser compartilhada nas redes sociais, junto com os impropérios para todos os que não votam no seu candidato. Se a realidade é contra o que diz tal candidato, dane-se a realidade. Temo muito pelo país que saíra das urnas com um debate tão rastaquera presente nas redes sociais, onde políticos são canonizados ou demonizados. Tenho medo do país que poderá sair das urnas, porque a greve dos caminhoneiros demonstrou que o que é ruim pode piorar ainda mais.

*Economista.

 

 

Elielson Lima 19 jul 2018 - 9:55m

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