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Economia #Economia Quanto irá custar o dólar após o resultado eleitoral?

#Economia Quanto irá custar o dólar após o resultado eleitoral?


Por Fábio Almeida*

 

Quanto irá custar o dólar após o resultado eleitoral? A resposta para esta pergunta vale milhões de reais, principalmente para quem atua no mercado de futuros vendendo dólar a mercado. Não há como precificar um valor específico, mas uma região de preço levando em consideração as variáveis mais importantes: Cenário Internacional; Valorização do dólar em relação às moedas do mundo; Cenário Eleitoral.

Na terça-feira dia 21/08 o dólar passou pela primeira vez em dois anos e meio dos R$ 4,00. Isso foi resultado do cenário eleitoral e da tensão com a guerra comercial entre EUA e China, a crise da Turquia, e a valorização do dólar com relação a todas as moedas do mundo. Desde o início do ano, a moeda norte-americana avançou mais de 20%, mas a tendência de alta, que havia perdido fôlego a partir de junho, voltou a ganhar força em agosto, fazendo o dólar saltar de cerca de R$ 3,70 para acima dos atuais R$ 4, estando diretamente ligado ao aumento da percepção de risco por parte dos investidores internacionais com os países emergentes, em especial, Brasil, Turquia e Argentina e, especificamente, no caso brasileiro, um quadro eleitoral incerto, que não aponta para um candidato reformista no segundo turno até então.

Figura 1 – Histórico do dólar.

Fonte: G1, Valor Pro. 2018

Embora os fatores internacionais contribuam para alta do dólar, é possível perceber na figura 1, que grande parte desta elevação no preço, assim como as anteriores, está direcionada aos problemas internados do Brasil. Assim, os temores de que ocorra uma desvalorização cambial ao estilo da ocorrida em 2015, quando, após a reeleição de Dilma o dólar saltou de R$ 2,20 para R$ 4,24 são bastante fundamentados.

Além disto, cabe destacar que o dólar vem se valorizando diante da maioria de moedas no mundo e, a guerra comercial bem como a crise da Turquia pode agravar o cenário, fazendo com que o dólar se fortaleça ainda mais, fazendo com que o Real derreta. O Real é a terceira moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2018, estando atrás apenas da Lira turca e do Peso argentino.

É natural que investidores tentem se proteger comprando dólar, tendo em vista não apenas o cenário internacional, mas principalmente as incertezas do quadro eleitoral que só irá pressionar para cima o preço do dólar, obrigando o Banco Central a efetuar pesadas intervenções, pois em cada nova rodada de pesquisa não havendo reação positiva do candidato do mercado, o estresse e a incerteza aumentam e, consequentemente, os temores de uma crise profunda na economia brasileira, elevando o preço do Dólar.  A busca pela moeda americana indica que o mercado prefere ativos mais seguros em momentos de incerteza, o que leva ao enfraquecimento do Real.

Devido à incapacidade do governo de cortar gastos, a forma como o orçamento público é estruturado no Brasil, e a falta de reformas que o país precisa para reorganizar suas finanças, os investidores estrangeiros começam a ficar cada vez mais pessimistas quanto à capacidade do governo brasileiro de honrar suas dívidas. Daí a pressão sobre o dólar: para o mercado financeiro apenas Geraldo Alckmin devido a sua experiência e a ampla coalização que montou, e a equipe econômica que o cerca é capaz de tocar uma agenda com duras reformas estruturais.

Na medida em que se aproximam as eleições no primeiro e segundo turno, maior será a volatilidade do câmbio, só havendo maior estabilidade caso Geraldo Alckmin comece a crescer nas pesquisas de forma consistente, o que é aguardado pelo mercado com muita apreensão pelo início da propaganda eleitoral na televisão, e o uso das máquinas partidárias. Isso porque maior exposição do tucano, e os poderosos palanques estaduais, principalmente em Minas Gerais e São Paulo poderão alavancar sua campanha. A percepção do mercado é clara: não é ideologia ou boa vontade, é apenas uma avaliação que a partir de dados, do histórico e dos discursos, que os outros candidatos não terão condições de propor e aprovar no congresso as reformas fiscais que contribuam para estancar o endividamento do Estado Brasileiro que caminha para insolvência.

No mercado, há muitos analistas que asseguram que o dólar chegará a R$ 5,30 durante as eleições mesmo com as intervenções do Banco Central. Eu, ao contrário, acho que o dólar ficará na faixa de preço entre R$ 4,50 e R$ 5,00, e as sinalizações do presidente eleito, e a montagem da equipe, é que poderão elevar o preço do dólar para uma região acima de R$ 5,00. Todavia, cabe destacar que a dinâmica do dólar embora possa ser influenciada pelo cenário internacional, o maior impacto na volatilidade será mesmo interno. Então, para tentar responder a questão inicial, o dólar irá se comportar nas seguintes regiões de preço: viabilização de Alckmin como candidato com chances reais de vencer – dólar ficara entre R$ 3,60 e R$ 3,90; Alckmin sem chance de ir ao segundo turno – dólar entre 4,20 e 4,50; segundo turno entre Fernando Haddad e Bolsonaro – dólar entre R$ 4,60 e R$ 5,00; segundo turno entre Marina Silva e Bolsonaro – dólar entre R$ 4,40 e R$ 4,60. E, por ultimo, independente do eleito, montagem da equipe pífia, e sem coalização para governar – dólar irá para um patamar elevado, entre R$ 5,20 e R$ 5,50.

É catastrófico para qualquer país sua moeda perder valor, isto tem impactos negativos na economia, na geração de emprego, no poder de compra da população, na inflação, na qualidade de vida, pois a destruição do valor é capaz de promover uma grave crise, como a que está ocorrendo na Venezuela – e não adianta cortar zeros, mudar de nomes – uma moeda sem valor resulta na destruição do país, comprometendo o presente dos seus cidadãos e, principalmente, o futuro das inúmeras crianças que irão crescer em um contexto de severa crise.

*Economista.

 

 

 

 

 

 

 

Elielson Lima 23 ago 2018 - 16:22m

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