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Economia #Economia O mercado financeiro e as eleições de 2018

#Economia O mercado financeiro e as eleições de 2018


Por Fábio Almeida*

Há um chiste entre aqueles que não compreendem ou desconhecem a importância do mercado financeiro para a sociedade e o funcionamento da economia do país, que consiste em perguntar: Como vai o mercado? Alguém já o viu? É gordo, magro, alto ou baixo? Este chiste só não é menos hilário que as crendices a respeito do mercado de capitais. Todos sabem que são os operadores em seus vários níveis de atuação: bancos, trader autônomo ou institucional, fundos de pensão, investidores nacionais e estrangeiros, empresas grandes e pequenas, corretoras, economistas, analistas técnicos, entre outros.

Mercado financeiro não é apenas especulação. Há o dinheiro do aposentado que aplicou em fundos de investimentos ou em ações, com a intenção de custear uma viagem. Existe também o dinheiro do sujeito que aplica sua poupança mensal em renda fixa, visando sua aposentadoria. Ao contrário do que muitos pensam é um ambiente bastante democrático, sem qualquer tipo de distinção (qualquer indivíduo pode operar contratos de mini-índice e mini-dólar a partir de R$125,00). Os vencedores são premiados pelo seu nível de conhecimento, disciplina e controle psicológico. Nunca pela sua capacidade financeira, pois fortunas são destruídas quando não se têm conhecimento. Ao contrário, fortunas podem ser construídas quando se tem o devido conhecimento. Não é fácil viver do mercado. Mas não é algo restrito apenas aos bancos e as grandes corporações. O mercado tem um papel social imenso: muitas pessoas de classe média baixa ou até mesmo pobres ascenderam socialmente por seu intermédio.

Exemplifiquei nos dois parágrafos anteriores quem é o mercado, para tentar fugir do imaginário popular disseminado em um país onde muitos políticos acham que a solução para todos os problemas é pela via do Estado, e não por meio da ação do indivíduo e da sociedade. Os operadores do mercado sofrem, trabalham muito, quebram, enriquecem, tem infortúnios, alegrias e tristezas, e na grande maioria dos casos estão longe dos clichês que aparecem em filmes. Os que conseguem sobreviver do mercado pagam suas contas como outros profissionais, e viabilizam para suas famílias a manutenção de um padrão de vida de classe média.

A grande maioria não enriquece no mercado! Essa realidade muitos políticos demagogos e oportunistas que se aproveitam do imaginário popular não disseminam, pois o que interessa a eles é difundir a imagem negativa do mercado financeiro como explorador das riquezas do país. Especificamente, a especulação, nada mais é do que comprar algo (ação, dólar, opções, índices, entre outros) por um preço e vender por outro, pagando impostos ao governo (20% no lucro líquido) e as taxas operacionais. O especulador da bolsa não é diferente do pequeno comerciante, do empresário, do feirante, pois afere o seu lucro do price action (ação do preço).

O papel do mercado na economia é imenso. Não apenas porque possibilita liquidez, mas também porque faz com que o dinheiro troque de mãos, investimentos sejam viabilizados, e pessoas possam aferir o sustento de suas famílias. Todavia, o papel mais importante do mercado é: contribuir com o governo através da compra de títulos da dívida pública. Isso é essencial para continuidade dos repasses de verbas para estados e municípios, pagamento de aposentados, funcionários públicos, e para manutenção dos serviços a população.

Devido à crise fiscal brasileira que é estrutural, a dívida pública na casa de 70% do PIB, caso o mercado deixe de adquirir os títulos do governo e de rolar a sua dívida, o país quebrará de maneira efetiva, e os três níveis dos entes federativos não terão dinheiro para honrar seus compromissos, por um simples fato: não se arrecada o suficiente para pagar as despesas. Isso ocorre devido ao déficit da previdência, ao tamanho do Estado, a ineficiência do gasto público, e aos gastos obrigatórios estabelecidos pela Constituição.

O Brasil caminha a passos largos para insolvência, se as reformas duras e estruturais não forem realizadas no curto e médio prazo. As reformas são: previdência; tributária; privatizações; combate aos privilégios; combate as isenções fiscais para setores da economia; reforma do Estado. Os detratores da agenda de reformas, seja por oportunismo (defesa de um privilégio), ignorância ou demagogia política, disseminam na sociedade uma ideia primária: se acabar com a corrupção o governo não terá déficit. Isto é falso como uma nota de três reais. A corrupção deve ser combatida por meio de medidas de controle, eficiência e transparência. Mais ainda: por meio de privatizações de empresas públicas, que só servem para financiar campanhas políticas, enriquecer corruptos, e manter privilégios para corporações.

A corrupção do Brasil, em todos os seus níveis de governo, não chega a 4% do PIB. E, o déficit público está atualmente em 70% do PIB. No próximo ano chegará a 80% do PIB. Um exemplo prático: a corrupção na Petrobrás custou 40 bilhões de reais. Dilma Rousseff ter segurado o preço dos combustíveis gerou um prejuízo de 340 bilhões de reais. Ou seja, a má gestão e a incompetência são muito mais lesivas que a corrupção.

Diante deste cenário, muitas oscilações irão ocorrer no mercado durante o processo eleitoral, podendo impactar o dólar, resultando em um aumento generalizado nos preços. Isto poderá levar o país a uma crise econômica. Toda esta incerteza está cristalizada nas eleições, porque os grandes players do mercado, bem como a média dos pequenos investidores, sejam eles nacionais ou estrangeiros possuem um candidato: aquele que é capaz de governar porque têm votos no congresso para aprovar as reformas estruturais, e quadros técnicos para resolver os complexos e difíceis problemas do país, pois se as reformas não forem efetuadas, o Brasil não terá como pagar as suas contas.

A escolha fica evidenciada não apenas pelas conversas de coxias, matérias na imprensa, mas por ações práticas. No dia em que este candidato anunciou o apoio a sua candidatura de um conjunto de partidos denominado por Centrão, a bolsa de valores que estava caindo, e o dólar subindo, inverteu os sinais: a bolsa chegou a subir mais de 2.000 pontos no final do pregão (algo raríssimo de ocorrer) e o dólar sofreu forte queda. O candidato do mercado nestas eleições é o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que, na análise do mercado, tem a devida experiência política, uma aliança grande de partidos com votos suficientes para aprovar as reformas, e os melhores economistas do país ao seu dispor (Pérsio Árida e Edmar Bacha – pais do Plano Real, por exemplo).

O mercado financeiro não tem amor a nenhum candidato. Não procura um candidato ideal (isso é uma ilusão de ingênuos ou militantes políticos). Dentro do contexto apresentado, procura apenas aquele que é capaz de governar, promover estabilidade política, previsibilidade econômica e fiscal, gerando um ambiente de negócios e investimentos favoráveis.

O Brasil precisa de reformas. Sem as reformas, não haverá futuro, e as consequências serão nefastas para toda a sociedade. Por que o mercado não escolheu outro candidato? Por motivos evidentes, que podem ser elencados de maneira objetiva. Marina Silva, é de um partido pequeno, tem até bons quadros técnicos (André Lara Resende; Eduardo Gianetti), mas não dispõe da devida experiência executiva, nem capacidade de formar uma aliança política para governar e fazer reformas. Embora não seja concebida como um risco para economia, não tem capacidade política para tocar um governo reformista.

Álvaro Dias é um político decente, experiente, fez um bom governo no Paraná, mas é de um partido pequeno, está apenas coligado com dois partidos minúsculos, não tem equipe de governo, e não se sabe se teria como montar uma coalização capaz de aprovar reformas.
Ciro Gomes é o terror do mercado! Não apenas pelo seu temperado, isolamento político, uma vez que não conseguiu montar uma aliança com partidos, mas principalmente pelas suas ideias econômicas estapafúrdias; não só ele, mas também dos economistas que o cercam, que pertencem a corrente econômica, conhecida como a heterodoxia brasileira, que defende incentivos a indústria, intervenção na taxa de câmbio, e intervenção do Estado na economia.

O candidato do PT que será Jaques Wagner ou Fernando Haddad (creio que será este último) radicalizou o discurso, terá uma aliança apenas com pequenos partidos, afastou do seu entorno grandes quadros econômicos (Bernardo Appy, Marcos Lisboa – uns dos responsáveis pelo sucesso econômico do primeiro governo Lula), não tem quadros técnicos a altura, e devido ao seu grau de radicalização não terá como governar. Para o mercado, o governo do PT seria uma tragédia, e uma carta ao povo brasileiro não seria aceita para acalmá-lo e viabilizar um governo, assim como foi feito com Lula em 2002, pois sem a famosa carta ao povo brasileiro, Palocci na Fazenda, Meirelles no Banco Central e os economistas ortodoxos, o governo Lula teria sido inviável, com o mesmo destino que todo governo inviabilizado tem (vide Collor e Dilma II).

Por último, o candidato Jair Bolsonaro, que tem até a simpatia de alguns setores do mercado financeiro devido ao economista Paulo Guedes, seria um incógnita. Isso porque o histórico do candidato foi o de ter votado ao longo de quase seus trinta anos de vida pública contra todas as reformas (votou contra ao Plano Real); faz parte de um partido pequeno e não tem alianças com partidos políticos; sua conversão ao liberalismo parece ser apenas discurso para angariar votos (Ele o filho deputado federal votaram contra o cadastro positivo junto com o PT); não conhece o básico do funcionamento da economia; falta controle emocional, não tem quadros técnicos à altura; não tem experiência no poder executivo; muitas de suas ideias econômicas não são factíveis por dois fatores: não têm votos no congresso e falta de recursos financeiros para tal (a ideia do regime de capitalização da previdência, uma boa ideia, mas que custaria alguns trilhões de reais, coisa que o Brasil não tem como viabilizar).

Não irei descrever os demais candidatos porque são irrelevantes. O mercado tem todo direito de ter seu candidato. Assim, como todo cidadão, os vários seguimentos sociais, o empresário, o sindicato. Só que o candidato do mercado é sempre estigmatizado, vilipendiado, tanto na campanha quanto no imaginário popular, pois é taxado como o candidato dos ricos. Nada mais falso! É apenas o candidato que poderá viabilizar as reformas que o Brasil precisa para continuar a pagar suas contas.

O mercado não trabalha com torcida, identificação, não tem preferencia, nem analisa padrões de suposta honestidade ou pureza ideológica, é pragmático, faz uma análise objetiva do que o país precisa para ter estabilidade política e econômica e, no atual contexto, é as reformas o essencial. Para as tais reformas é necessário votos na câmara e no senado, coalização de partidos políticos, experiência, e capacidade de articulação política.

Salvador da pátria, governo de um homem só, honestidade como atributo, candidato ideal, são apenas crendices de eleitores imaturos, que ignoram a realidade e se apaixonam por homens. Os operadores do mercado estão apenas analisando a realidade objetiva dos fatos. Emoções, promessas e discursos não resolvem os problemas do país, nem comovem o mercado. Apenas as reformas estruturais. Não confunde desejo com realidade, nem se busca o ideal, porque isto na realidade não existe. Atua-se apenas com o que se tem. A decisão do eleito não será do mercado, mas de todos os brasileiros, indistintamente. E, claro, como diz aquela velha máxima do mercado financeiro – o preço desconta tudo -, o mercado saberá agir de acordo com a escolha do eleitor.

*Economista.

Elielson Lima 02 ago 2018 - 20:32m

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