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Economia #Economia Banco Central errou ao manter taxa de juros

#Economia Banco Central errou ao manter taxa de juros


Por Fábio Almeida*

É inacreditável a manutenção da taxa de juros pelo Banco Central com a justificativa de que aguarda a aprovação da Reforma da Previdência. Além disto, sinaliza que irá cortar os juros em setembro e dezembro. Não existe um só economista que ache ao menos essa medida razoável, um único agente do mercado financeiro que não a ache estúpida.

   Após a sinalização do FED apontando cortes de juros nos EUA, e a tendência mundial de juros baixos e negativos em diversos países, a taxa de juros brasileira em 6,5% é uma anomalia. Pior ainda: com a nossa inflação controlada, economia patinando, prestes a adentrarmos em uma nova recessão, não ter cortado a taxa de juros agora, implica não apenas em ter jogado o ano de 2019 fora, mas também demonstra insensibilidade social com as pessoas que estão desempregadas, com o empreendedor que enfrenta dificuldades, e com o trabalhador brasileiro que vem perdendo renda. 

   Acho que o presidente do Banco Central não leu ou esqueceu-se do clássico Central Banking In Theory and Practicede Alan S. Blinder sobre as funções do Banco Central e seu funcionamento. Pior ainda: deve desconhecer o monumental A History of The Federal Reserve(4 volumes) do Allan H. Meltzer que não apenas é a obra definitiva sobre a história do FED, mas demonstra como o Banco Central Americano foi fundamental em muitos momentos da história não apenas dos EUA, mas também do mundo. Se tivesse absorvido as lições destes dois grandes livros, o presidente do Banco Central não teria ignorado a difícil realidade da economia brasileira, que não consegue crescer e gerar empregos. 

   Observem na figura 1 logo abaixo, a taxa de juros no mundo, válida em seis meses, e no período de 1 até 30 anos em 19  países. A figura 1 demonstra que a grande maioria dois países tem taxa de juros negativa, pois como a economia mundial está em franca desaceleração, os países se preparam para correção ou recessão.

Na figura 1, a maioria da taxa de juros é negativa porque a economia está tão fraca que a atividade econômica real não remunera nada, uma vez que se remunerassem as pessoas pegariam este dinheiro para empreender. Como não remunera, preferem perder dinheiro parado no banco ou, investir na bolsa para ter uma rentabilidade maior. Na maioria dos países apenas o juros de 10 anos é que começa a ser positivo, e mesmo assim em uma taxa simbólica. Outro dado da figura 1 é importante: a taxa de juros americana está invertida, pois o juros de seis meses (2,19%) é praticamente o mesmo do de 30 anos (2,52%), sinal que o sistema de preços perdeu a capacidade de precificação e, quando isso acontece, é necessário uma recessão para corrigir este processo.  

              Esse quadro aponta quão absurda foi a decisão do Banco Central brasileiro. Pior: não a nada que indique que a atividade econômica irá reagir após a aprovação da Reforma da Previdência que já está precificada. Além disto, tal reforma não tem o condão de gerar crescimento econômico, pois apenas impede a previdência de quebrar.

              Somando-se a isto, a taxa de juros futura do Brasil (DI1F) começou a cair de maneira consistente conforme pode ser percebido na imagem 2, logo abaixo:

Na figura 2, é possível verificar que a taxa futura de juros do Brasil (DI1F21) caiu de 10,45% em julho de 2018 para 5,98% em junho de 2019. Uma queda substancial de quase 50% em 11 meses, e com claro viés de baixa, devendo chegar a dezembro deste ano no patamar de 5%. Se a taxa de juros futura do Brasil está em franca tendência de baixa, por que o Banco Central segurou a taxa presente, sinalizando corte apenas em setembro? É realmente impossível entender tal decisão, principalmente quando se olha o cenário interno, externo e a inflação sobre controle. 

              A inflação brasileira estará abaixo da meta em 2019 e 2020, respectivamente com 3,6% e 3,9%, tendo em vista a fraqueza da atividade econômica. A inflação neste patamar torna os juros de 6,5% um absurdo. A interrupção na recuperação da economia brasileira e a inflação implicam na redução urgente da taxa de juros, postergar para setembro é excesso de cautela, porque não há nada que possa contaminar a trajetória da inflação esperada no horizonte. 

              Não creio que reduzir a taxa Selic terá o condão de trazer crescimento econômico. O problema é mais complexo do que se imagina. Depende do fiscal, e da reestruturação completa do ambiente de negócios e dos fundamentos da economia que foram destruídos durante o segundo governo Lula e os dois governos de Dilma. Mas, sem a redução da taxa de juros, essa missão se torna praticamente impossível. 

              A economia brasileira não cresce. O prometido crescimento de Paulo Guedes a partir de junho não veio e nem virá. A taxa de desemprego em 12,5% será reduzida de forma lenta, com imenso custo social, a depender das reformas estruturais e da reconstrução do equilíbrio fiscal da economia brasileira. Reduzir a taxa Selic é essencial para gradativamente ir resgatando a confiança dos empresários e dos consumidores. 

*Economista.

Elielson Lima 27 jun 2019 - 11:01m

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