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Economia #Economia Depressão da economia brasileira e ausência de risco inflacionário

#Economia Depressão da economia brasileira e ausência de risco inflacionário


Por Fábio Almeida*

Findo o primeiro semestre de 2019 e a economia brasileira decepciona. As projeções de um crescimento de 3% do PIB para este ano caíram na média para algo em torno de 0,5% a 0,8%. O desemprego não cede. Varejo sofre de maneira bastante severa a falta de recuperação da economia, e o endividamento das famílias contribui ainda mais para este cenário ruim. Medidas como a liberação do FGTS são paliativos que não mudam o horizonte do crescimento econômico. Tal media irá quando muito impactar no PIB algo em torno de 0,1%. A Reforma da Previdência irá resolver menos de 1% do nosso problema fiscal. A economia brasileira não cresce, e não tem inflação descontrolada. Pena que o cenário interno e externo não seja favorável.

O Brasil vive em um ambiente de depressão econômica. O Banco Central deverá cortar a taxa de juros três vezes, com cortes seguidos de 0,50, totalizando 1,5 de modo que o país termine o ano com a taxa Selic em 5%. Não há outro caminho, não resolve o problema, mas pode gerar certo alívio provisório. Além disto, a curva de juros futuros está nos menores patamares da história.

A tendência predominante no mundo é de juros perto de zero ou até mesmo negativos, como pode ser visto na zona do Euro, e em todos os países desenvolvidos. O mundo vive um momento de juros muito baixos, em razão da transição demográfica provocada pelo envelhecimento da população, o que eleva a taxa de poupança.

A economia brasileira vive o seu mais profundo ciclo de contração de sua história, dado que a renda per capita do país encolheu 9% desde o segundo semestre de 2014. Estima-se que serão necessários entre 10 a 12 anos com crescimento anual do PIB entre 2% e 3% para retornar ao mesmo patamar de renda per capita de 2013.

O PIB potencial do país hoje é de apenas 1%. E, os desafios são enormes, porque a economia brasileira perdeu a capacidade de gerar empregos no nível necessário, perdeu competitividade, e as disfunções estruturais do Estado dificultam a atração de investimentos externos e internos devido ao grave problema fiscal e desequilíbrio das contas públicas. A figura 1, logo traça o perfil da dívida pública de países similares ao Brasil:

Figura 1- Dívida Pública Bruta

 

Na Figura 1, identificamos que a dívida pública bruta do Brasil chega a 90% do PIB. Só é menor que a da Venezuela. Por incrível que possa parecer, nossa dívida pública bruta é maior que a da Argentina. México, Equador, Colômbia, Peru e Chile possuem dívidas saudáveis. Bolívia, Uruguai e Argentina possuem severo desequilíbrio nas contas. O caso do Brasil além de gravíssimo é estrutural. E, os motivos podem ser entendidos na figura 2 logo abaixo:

 

Figura 2 – Gastos Primários do governo federal.

 

Na figura 2, os gastos primários do governo federal crescem de maneira acelerado entre 2015 a 2019. Continuando uma tendência de alta que se inicia a partir de 2004. Gastos com previdência subiram 17,8% nos últimos 4 anos. Já quando se soma previdência + funcionalismo público no mesmo período, o crescimento é de 13,5%. Quando comparado estes dois elementos subtraídos pela arrecadação, previdência gera um déficit de -8,2% nas contas públicas, enquanto que previdência + funcionalismo público gera um déficit de -15,6%.

Somando-se aos dois maiores gastos estruturais do Brasil (Previdência e Funcionalismo Pública), os juros da dívida, os gastos obrigatórios, a péssima qualidade do gasto público, subsídios, regras diferenciadas para determinados setores e corporações, e o cemitério de obras faraônicas fazem com que o país tenha perdido quase que completamente sua capacidade de investimentos. O atual nível de investimentos do Governo Federal é o mais baixo dos últimos 40 anos.

No front externo, a liquidez da economia mundial tem reduzido, pois toda economia do planeta está desacelerando. Os indicadores de atividade industrial da zona do euro continuam a mostrar desaceleração. Os PMIs (indicador de produção industrial) da região em julho caíram para 46,4 (níveis abaixo de 50 indicam recessão). Na Alemanha a queda é ainda mais pronunciada, tendo atingido 43,1 em julho, conforme pode ser vista na figura 3.

Figura 3 – Indicador de Produção Industrial da Alemanha.

Se não bastasse a desaceleração na economia alemã e em toda zona do Euro, a economia americana vai começando a dar sinais de desaceleração. O ritmo de expansão da economia americana é claramente mais lento. Isto justifica um ciclo de alívio curto promovido pelo FED a partir da sinalização do corte da taxa de juros.

A entrada do mundo em recessão não é algo que possa ser previsto ou indicado, pois se trata de um fenômeno complexo, e imprevisível. Mas que a economia mundial está com problemas, é quase uma unanimidade entre analistas de diversas correntes. E, há até um paralelo. O deflagrador da grande crise mundial de 2008 foi o banco Lehman Brothes. Agora a bola da vez é o Deutsche Bank, que é uma das maiores instituições financeiras do mundo. Foi fundado em 22 de janeiro de 1870, em Berlim, e encontra-se numa situação de penúria, até mais grave que o Lehman conforme pode ser visto na figura 4.

 

Figura 4 – Paralelo entre o Lehman/Deutsche.

É neste cenário conturbado a nível mundial, e com problemas estruturais de ordem fiscal, no mercado de trabalho, na qualidade do gasto público, que o governo precisa de uma agenda mais profunda que reestruture totalmente o Estado brasileiro, abrindo nossa economia para o comércio exterior, e tentando atrair investimentos externos. Reforma Tributária, privatizações, desburocratização e comercio internacional são os caminhos que podem ser trilhados.

Reestruturar o Estado Brasileiro e suas ilhas de ineficiências é algo difícil, e com medidas duras a serem tomadas, mas é vital. Caso contrário, a dívida pública irá estrangular totalmente a capacidade de crescimento do país. Com o déficit fiscal resolvido, e menos burocracia e mais comércio internacional, o PIB potencial do Brasil sairá da casa de 1% para o nível de 3%.

*Economista

Elielson Lima 25 jul 2019 - 18:03m

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