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Economia #Economia Renda Fixa: a forma mais segura de perder dinheiro

#Economia Renda Fixa: a forma mais segura de perder dinheiro

Publicado em: 11/07/2019 - 7:10m

Por Fábio Almeida*

O Brasil é um dos países que menos poupa no mundo. E, somos também um dos países com mais famílias endividadas do planeta. Isto é fruto dos gargalos de nossa economia, falta de educação financeira e herança maldita da hiperinflação, pois devido a inflação crônica as pessoas não tinham como poupar. A estabilidade econômica a partir do Plano Real acabou com a hiperinflação, mas educação financeira ainda está longe de nossa realidade. Na figura 1, é possível perceber como os brasileiros que poupam administram mal o seu dinheiro:

Figura 1 – Distribuição do dinheiro dos brasileiros. 2019

É impressionante como 26% dos brasileiros que poupam deixam seu dinheiro na poupança, perdendo para inflação. Ou seja, qualquer forma de investimento que não remunere acima da inflação, o poupador está perdendo dinheiro, por algum bem simples: os preços aumentam. Não se compra a mesma quantidade de produtos com R$ 100,00 que se adquiria há um ano. Assim, quem tem dinheiro na poupança, não compra o mesmo número de bens que comprava há um ano.

Poupança não pode ser considerada investimento, mas apenas como uma máquina de destruição de valor. A poupança rende atualmente 4,55% ao ano, menor do que todos os investimentos em renda fixa, e sujeita a intervenção do governo que pode reduzir ainda mais essa rentabilidade. Com uma inflação anualizada a 4%, a poupança entrega de rentabilidade real por ano 0,55%.

Esse cenário será agravado ainda mais com a queda da Taxa Selic, que irá transformar a renda fixa em uma forma segura de se perder dinheiro, pois o Brasil seguirá a tendência mundial de juros baixos e negativos. Isso já está precificado tanto pelo mercado quanto pelo Banco Central brasileiro, e já é refletido nas taxas de juros futuras do Brasil.

O investidor para ter uma rentabilidade maior que a inflação, precisa ir pra renda variável (apenas 11% dos brasileiros que investem estão nesta modalidade) como já acontece em todo mundo. Além disto, aprovação da Reforma da Previdência e a decisão do FED de cortar os juros, terá grande impacto na taxa Selic, fazendo com que 85% do dinheiro dos poupadores brasileiros tenha seu valor destruído pela inflação. Na figura 2, logo abaixo, é possível identificar como a taxa de juros futuro dos EUA está caindo de maneira considerável, com impacto na taxa de juros global.

 

Figura 2 – Taxa de Juros futuro dos EUA. 2019

 

A taxa de juros futura americana saiu em dezembro de 2018 de 2,38% para 1,45% em dezembro de 2021. E, a curva é claramente descendente, obrigando os bancos centrais do mundo inteiro a baixarem seus juros. O que, de fato, já é uma realidade na zona do Euro que tem taxa de juros 0%. Essa é a tendência mundial: juros negativos ou perto de zero.  Isso já é refletido na taxa de juros futura do Brasil como pode ser identificado na figura 3, logo abaixo:

 

 

 

 

Figura 3 – Curva de juros futuro do Brasil. 2019

 

Como é possível perceber na figura 3, a taxa de juros brasileira em diversos anos, está totalmente inclinada pra baixo, numa clara tendência de baixa. A taxa de juros futura em 2021, por exemplo, saiu de 9,50% para 5,60%. A taxa de juros brasileira mais longa a de 2029, saiu de 9,55% para 7,40%. A tendência é que as taxas de juros futuras continuem caindo, sendo este processo acentuado a partir da aprovação da Reforma da Previdência.

Figura 4 – Taxa de Juros nos países do G-20. 2019

Na figura 4, é possível ver a taxa de juros de todos os países que compõem o G-20. Tirando as taxas de juros da Argentina (59,90%), Turquia (24%) que são elevadíssimas por causa da grave crise econômica que afligem estes dois países, apenas Brasil (6,5%), Rússia (7,5%), África do Sul (6,75%), Indonésia (6%), Índia (5,75%), e China (4,35%) possuem taxas de juros elevadas por causa dos problemas estruturais em suas economias.

Todavia, todos estes países começaram a baixar suas taxas de juros a partir da decisão do FED, e tendem a acompanhar a tendência da economia mundial de juros baixos ou negativos, pois 6 países do G-20 já possuem juros 0%; e dois a taxa está negativa: Japão (-0,10), e Suíça (-0,75%). Além disto, Austrália, Canadá, Reino Unido, Cingapura, e Coréia do Sul, caminham rapidamente para terem uma taxa de juros negativa.

Diante deste cenário, a renda fixa no Brasil se transformou numa forma de perder dinheiro, e irá render igual ou pouco melhor do que a poupança. A taxa Selic terminará o ano de 2019 no Brasil em torno de 5%. E, a perspectiva é que feche 2020 abaixo dos 4%. Assim, o investidor brasileiro terá de ir pra renda variável (para bolsa), caso contrário, o valor do seu dinheiro será destruído pela inflação.

*Economista.

Elielson Lima 11 jul 2019 - 7:10m

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