PCR – Recife Virado
Jaboatão – Anti-rábica
Governo – Emprego
Economia Economia | Os indícios para uma recessão global são cada vez mais fortes

Economia | Os indícios para uma recessão global são cada vez mais fortes

Publicado em: 22/08/2019 - 9:27m

Por Fábio Almeida*

   A entrada do mundo em recessão não é algo que possa ser previsto, pois se trata de um fenômeno complexo. Mas é unanime entre analistas a percepção dos seus fortes indícios. Se não bastasse a desaceleração da economia, a guerra comercial entre China e EUA, os principais conflitos geopolíticos, e a fuga de capitais estrangeiros de países emergentes, potencializam os fatores para sua deflagração. 

              Os estragos de uma nova recessão global serão devastadores. Principalmente por se tratar de um período de transição na história da humanidade, pois um novo mundo está surgindo devido às mudanças tecnológicas no mercado de trabalho e no sistema financeiro. 

              Exemplo: em 10 anos, cerca de 20 milhões de motoristas nos EUA estarão desempregados, pois em Nevada já funcionam 400 carretas de 18 pneus automatizadas, com resultados assustadores: zero acidentes, economia de 60%, e ganho de tempo acima de 40% quando comparadas com condutores humanos. O que se fará com os 20 milhões de motoristas de carretas, trens, ônibus, e táxis nos EUA?

              O impacto destas transformações será visível de maneira mais contundente após a grande recessão global, pois muitos países e empresas serão expurgados. Sempre foi assim na história da humanidade, e é uma das características do capitalismo: exterminar a ineficiência. Ineficiências podem ser sustentadas até por longos períodos através de subsídios, estímulos financeiros, bolhas, mas, como há limites monetários e físicos no planeta, o ajuste vem. 

              E, quanto mais se protela buscando formas de mitigar os efeitos do ajuste ou de proteger a ineficiência, piores serão os efeitos. Esse ajuste deveria ter acontecido na crise de 2001 que ficou conhecida como a bolha da internet, mas foi mitigado. Aí, estourou a crise de 2008, e o FED, os bancos centrais do mundo e os governos conseguiram atenuar o ajuste. Agora não tem mais como, estamos em um mundo de juros negativos, e com dificuldade de gerar empregos. 

              Além de tudo isto, quando se olha o nível dos atuais governantes da maioria das nações do planeta, é desolador. Vemos uma casta de populistas, incapazes, ou tiranos. Sendo bem franco, tirando Angela Merkel, quem temos de estadista para nos guiar durante o caos que irá irromper? 

              As respostas da sociedade para problemas complexos têm sido incrivelmente ruins. É bem verdade que a exclusão dos perdedores da globalização, e a total falta de compreensão do mundo que está nascendo, contribuíram para que populistas assumissem o poder. Mas é assustador termos Trump, Bolsonaro, Macron, bobalhões na Itália, Boris Johnson na Inglaterra, Benjamin Netanyahu em Israel, e tiranos como Xi Jinpingna China, Putin na Rússia. 

              Em pleno século XXI, a democracia ocidental está em crise; o eleitor tem cometido atrocidades por meio do voto, como o Brexit, no berço da democracia liberal no mundo. Ressentimento, ideologia, ignorância, tem levado a soluções bizarras, e estamos assistindo um populismo tosco assumir o poder em diversos países.

              Adestruição criadora do capitalismo como dizia Schumpeter é algo vital para renovação e funcionalidade do sistema. Foi assim ao longo da história da humanidade com crises cíclicas e mudanças estruturais para a criação de um novo mundo. Assim, surgiu às mudanças processadas após a revolução industrial, ao grande crash de 1929, a crise do petróleo nos anos 1970. 

              Estes momentos de ajustes levam milhares à miséria, destroem países, e empresas, mas, em seguida, iniciam-se momentos de prosperidade e desenvolvimento, com grande incorporação tecnológica nos meios produtivos e no cotidiano das pessoas.

              Foi desta forma que a humanidade melhorou. Apesar de toda pobreza ainda renitente, trata-se do momento em que existem menos pobres no mundo, onde qualquer pessoa de classe média baixa possui um padrão de vida, conforto, e acesso a bens superiores aos dos imperadores romanos.  

              O ritmo de expansão da economia americana é claramente mais lento. Isto justifica um ciclo de alívio curto promovido pelo FED a partir do corte da taxa de juros. Isto se torna ainda mais grave, quando temos um cenário internacional nada propício, e o mercado financeiro podendo entrar em Bear Market. 

              Devido à crise de 2008, o FED disseminou a prática do malinvestment (mau investimento) a partir do momento que baixou as taxas de juros a níveis inferiores aos que o mercado ofertaria sem a intervenção do banco central. Isso gerou uma série de investimentos em fábricas, equipamentos, ativos, que só se sustentavam porque o dinheiro emprestado estava barato, sendo possível refinanciar diversas vezes, mas grande parte destes empreendimentos não é sustentável.

              O capital mal alocado resulta em perda econômica, e quando a taxa de juros aumenta, deixam de ser rentáveis. Além disto, o aumento de juros tira o dinheiro que foi injetado artificialmente via redução dos juros, e ajuda a estourar as bolhas que foram criadas devido aos juros baixos. 

              A alta liquidez do mercado possibilitou que recursos fossem alocados nos mais diversos setores que, em condições normais não teriam recursos em tal volume. 

              O FED de 2008 a 2015 injetou uma quantidade surreal de dinheiro na economia americana (Quantitative Easing), e desde 2016 até aqui começou a retirar (Quantitative Tightening).  Foram trilhões e trilhões de dólares, ao mesmo tempo em que chegou a reduzir logo após a crise de 2008 a taxa de juros a zero, o menor nível da história dos EUA. O FED fez tudo isto na tentativa de salvar a economia do planeta, mas criou uma serie de distorções enormes e sem precedentes. 

              Outro fator importante que merece ser destacado é o afrouxamento na regulação dos bancos, reduzindo os buffers de liquidez em até US$ 700 bilhões em ativos, com o intuito de diluir a força dos estresses econômicos, e também para reduzir os efeitos da proibição Volcker Rule que exige cortar as exigências de capital para as exposições corporativas a derivativos. Pressionados por lobistas, os reguladores estão agora contemplando um enfraquecimento da taxa adicional nos oito bancos sistemicamente mais importantes do planeta.

   Ao invés de reduzir o patrimônio líquido e facilitar a salvação de gigantes instituições financeiras na próxima crise, os reguladores deveriam enfrentar as ameaças à economia. Isso significa exigir margens de segurança mais densas para os grandes bancos e padrões mais rígidos para empréstimos alavancados. Essas medidas ajudariam a garantir um sistema financeiro mais seguro.

   O maior Bull Market da história, com o mercado acionário subindo a quase uma década sem uma correção mínima de 20% demonstra que a economia não está saudável, e as grandes corporações estão crescendo a base de alavancagem e aumento dos riscos. Para ter ideia, o índice CAPE do S&P 500 é o segundo mais alto de todos os tempos, só atrás do período dos anos 2000 perto do estouro da bolha da internet.  

              Outro sinal é que o mercado de títulos corporativos cresceu quase US$ 7 trilhões de dólares. A dívida das empresas está batendo recorde como porcentagem do PIB. Todavia, cabe destacar também que a qualidade de crédito de títulos tem piorado, e os investidores estão cada vez mais dispostos a assumir riscos com títulos de empresas com crédito inferior. 

              Estas vulnerabilidades são agravadas a partir do rebaixamento generalizado dos títulos corporativos, induzindo uma queda significativa dos preços, alimentando um ciclo de novas reduções de margens. Isto resulta em empresas altamente alavancadas, e com dificuldades para refinanciar dívida ou obter mais crédito, aumentando o risco de inadimplência, e falência corporativa. 

              Além disto, os bancos estão expostos significativamente à dívida corporativa, uma vez que fazem empréstimos alavancados, compram CDOs, aumentam linhas de créditos pra empresas, possuem hedge funds alavancados, e também buscam proteção em dívidas corporativas no mercado de swaps de inadimplência. Sendo assim, uma crise no mercado corporativo afetaria o sistema financeiro que detém grande parte deste passivo, principalmente, os grandes bancos.

              Os sinais de uma grande recessão global são fortes: desaceleração na economia chinesa e europeia; redução do ímpeto de crescimento da economia americana; curva de juros flat; aumento de volatilidade do VIX; aumento da compra dos Bonds Americanos. Faltando apenas um sinal: o direcionamento de Bear Market no S&P 500. 

*Economista

Elielson Lima 22 ago 2019 - 9:27m

Comentários

Pesquisar

Publicidade

Curta no Facebook

Publicidade

Arquivos do Blog