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Economia Economia | A insanidade dos Bancos Centrais: o prelúdio do apocalipse

Economia | A insanidade dos Bancos Centrais: o prelúdio do apocalipse

Publicado em: 19/09/2019 - 19:06m

Por Fábio Almeida*

Como era esperado o FED cortou a taxa de juros, deixando-a entre 1,75% a 2%. No press conference não houve comprometimento com mais cortes, pois assegurou que isto irá depender dos dados macroeconômicos, e da evolução dos riscos geopolíticos, e da economia global. O FED não está disposto a antecipar a piora do cenário, deve agirapenas após a deterioração. 

​Já o Banco Central brasileiro também baixou a taxa de juros, sepultando de vez o CDI, a Poupança e a Renda Fixa. A taxa Selic foi para 5,5% em decisão unânime do COPOM. Além disto, a ata da reunião foi bem dovish, sinalizando novo corte na próxima reunião, aumentando a possibilidade dos juros fecharem o anono Brasil em 4,5%. 

​O FED segue a tendência mundial que aponta para taxa de juros zero, mesmo que isso não ocorra de maneira linear com cortes sucessivos em cada reunião. Isto pode ser visto na figura 1, logo abaixo:

Figura 1 – Evolução da mediana da taxa de juros americana.

​Conforme pode ser identificado na linha tracejada vermelha da figura 1, a mediana da taxa de juros americana está 1,20%, aproximando-se celeremente dos juros negativos. 

​Não sou viúvo da renda fixa. Todas as minhas economias estão na bolsa, pois para ter rentabilidademaior é preciso tomar risco. E, até me pergunto: quantos bilhões alocados na renda fixa hoje irão migrar para renda variável a partir deste cenário inédito no Brasil? 

​Todavia, a questão que proponho aqui é mais profunda: é viável um mundo com juros negativos? Ainda mais com guerra comercial entre USA e China, desvalorização cambial, instabilidade no petróleo, ebaixo crescimento da economia mundial.

​Até que ponto os bancos centrais do mundo estão dispostos a ir para evitar uma correção do sistema capitalista? Será que os estímulos promovidos serão suficientes para sustentar a combalida economia global? A resposta é não. Ao postergar o ajuste, estão criando a maior recessão da história da humanidade, e perdendo totalmente os instrumentos para reduzir osseus efeitos. Nesse cenário, o mundo possui a menor taxa de juros dos últimos 5.000 anos, como pode servisto na figura 2: 

Figura 2 – Taxa de juros ao longo da história da humanidade.

​Sou favorável à taxa de juros baixa. Não no atual nível porque contraria à lógica econômica, tirando do sistema de precificação algo essencial: o prêmio. É promissor você pagar para emprestar dinheiro ao governo? Acredito que não.

​Os bancos centrais do mundo parecem que estão se rendendo a política e ao mercado. Ouvi de umexperiente gestor de fundos uma frase lapidar sobre o banco central: este não deve falar por meio de entrevistas, mas pela mesa. Deve agir doa a quem doer. 

​Nosso banco central está seduzido pelos cantos do mercado e pelos apelos da atual equipe econômica que, sem um projeto real para o país, abusa da bazófia, da criação de leads na imprensa, e de falações otimistas, como se estes fatores pudessem gerar crescimento econômico.

​Talvez, a redução da taxa de juros aumente a liquidez da bolsa, com a transferência das pessoas da renda fixa para a renda variável. Mas o impacto na economia real, na geração de empregos, e na resolução do problema fiscal é zero. O banco central está apenas abrindo mão de um de seus instrumentos em um cenário difícil. 

​A questão do FED é ainda mais complicada. A condução de Powell é catastrófica, confuso em seus comunicados, parece não estar à altura do cargo. Pior ainda, parece ter medo de Trump, que só está preocupado com a sua reeleição, e quer que o FED baixe a taxa de juros, ajudando a jogar asteroides na economia americana, a fim de facilitar sua reeleição. 

​O volume de dinheiro aplicado em títulos públicos com juros negativos atingiu um recorde histórico: há simplesmente uma cifra superior a 12 trilhões de dólares aplicados. Algo assustador, ao mesmo tempo em que aponta para algo muito ruim: o sistema de precificação perdeu sua eficácia, e isto resultará em uma grande recessão, por mais que tentem remediá-la. Na figura 3, é possível identificar a evolução do dinheiro em juros negativos entre 2015 e 2019.

Figura 3 – Evolução da Taxa de juros negativa.

​Conforme pode ser identificado na figura 3, em 2015 o dinheiro em juros negativos no mundo chegava a 2 trilhões de dólares. Em 2019, ultrapassam os 12 trilhões de dólares. É uma verdadeira montanha de dinheiro sem prêmio, onde as pessoas pagam para emprestar ao governo. Não há fundamento econômico, não há preferencia temporal, trata-se de uma anomalia totalmente disfuncional. 

​Vamos aos exemplos: um título público alemão, com vencimento daqui a 10 anos, está pagando juros de -0,51% ao ano. Já um título público suíço, também de 10 anos, está ainda mais negativo: paga -0,75% ao ano.Quem emprestar hoje 1.000 francos suíços para o governo da Suíça receberá de volta, daqui a 10 anos, 927 francos suíços. Isto está presente em inúmeros países do mundo, tais como Dinamarca, Holanda, França, Bélgica. 

​Quem emprestar para o governo da Suécia não pagará nada, mas também não receberá nada a mais após 10 anos. Já quem emprestar para o governo daEspanha receberá juros de 0,41% ao ano. Ou seja, se você emprestar 1.000 euros para o governo espanhol, receberá daqui a 10 anos a impressionante soma de 1.041,76 euros. E isso desconsiderando o imposto de renda, e também o efeito da inflação sobre o dinheiro.

​A riqueza está sendo destruída pelos juros negativos e pela inflação na maior parte do mundo. NosEUA e Brasil, o dinheiro está sendo destruído apenas pela inflação, já que poupança, CDI e Renda Fixa não rendem mais nada. 

​Diante deste cenário surreal, é oportuna a pergunta: os bancos centrais do mundo têm condições de continuar a aventura monetária que teve início em 2009 e perdura até os dias atuais? A resposta é não. Os balanços dos bancos centrais estão bem diferentes do período da injeção de dinheiro na economia, como pode ser vista na figura 4, logo abaixo: 

Figura 4 – Balanços dos bancos centrais Europeue do FED.

​Na figura 4 é possível verificar que os níveis atuais estão bem acima do socorro financeiro promovido durante a crise de 2008. Isso demonstra que os bancos centrais não têm mais capacidade para suavizar ou interromper uma nova crise.

​ Não há respostas, evidências empíricas, e ninguém sabe ao certo o custo e até quando conseguirão manter as injeções artificiais de dinheiro, com uma economia desacelerando, a bizarrice dos jurosnegativos, e inúmeros governos endividados. 

​É falta de cautela reduzir os juros no Brasil em um contexto internacional totalmente desfavorável, repleto de incertezas, e com sinais cada vez mais fortes de uma grande recessão global. O impacto na economia brasileira desta medida será nulo. O banco central temdemonstrado estar totalmente a mercê das pressões do mercado e do governo, não se preocupando em cumprir suas funções precípuas. 

​Interesses eleitorais, governantes incapazes, guerras ideológicas, e interferência na vitalidade do sistema capitalista que funciona a base de criação de valor e destruição de ineficiência, estão preparando um cenário nebuloso que irá resultar em um verdadeiro apocalipse.

​ Como diz Buffet: quando a maré baixa se descobrequem estava nadando pelado. O Brasil faz 20 anos que nada pelado.

*Economista

Elielson Lima 19 set 2019 - 19:06m

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