Novo Jaboatão
Gov – Plano de retomada
Copergás
Pcr – novo modelo
Economia Economia | O funeral da Renda Fixa, do CDI, CDBs e Poupança

Economia | O funeral da Renda Fixa, do CDI, CDBs e Poupança

Publicado em: 31/10/2019 - 12:27m

​ Como era esperado o FED baixou a taxa de juros norte americana, e apontou que não há a menor perspectiva de aumento no médio prazo. Isso consolidou a tendência mundial de juros negativos.O Banco Central brasileiro também cortou a taxa Selic de 5,50% para 5%, sinalizando claramente que em dezembro irá cortar mais meio ponto, terminando 2019 com a menor taxa de juros da história: 4,5%. 

​Esse cenário é o verdadeiro funeral da renda fixa, CDI, e da poupança. Nenhuma destas modalidades rentabiliza capital. Não sei qual destino terá os fundos de investimentos, CDBs, LCIs, LCAs, Tesouro Direto que os bancos oferecem. Afinal, já não rendiam quase nada, e a partir de agora irãoreduzir o dinheiro dos clientes, devido as taxas, impostos, inflação. Mas, como dizia um antigo banqueiro: no Brasil nunca faltará matéria-prima! Instado a dizer a que se referia, o banqueiro despejou de chofre: Trouxas!

​Diante deste cenário, a renda fixa, poupança e CDI no Brasil se transformaram numa forma de perder dinheiro. A taxa Selic terminará o ano de 2019 em 4,5%. A perspectiva é que feche 2020 abaixo dos 3%. O investidor para ter uma rentabilidade maior que a inflação, precisa ir pra renda variável, apenas 11% dos brasileiros investem estão nesta modalidade, conforme pode ser visto na figura abaixo:

​É impressionante como 85% dos brasileiros que poupam deixam seu dinheiro perdendo para inflação. Ou seja, qualquer forma de investimento que não remunere acima da inflação, o poupador está perdendo dinheiro, pois não se compra a mesma quantidade de produtos com o mesmo valor no tempo. Com a queda da taxa de juros, só a renda variável pode trazer rentabilidade ao investidor. Além disto, a queda da taxa de juros, aumentou o nível de destruição do poder de compra do dinheiro não remunerado acima da inflação.

​É óbvio que o investidor não admite diminuir seu patrimônio através de um investimento. Mas por medo ou desconhecimento, está perdendo dinheiro na poupança, no CDB, no CDI, no Tesouro Direto. E, aqueles que fogem da renda variável alegam que é devido ao risco inerente destes tipos de investimentos. Daí surge a seguinte pergunta: como não perder capital em em renda variável? 

​Existem inúmeras teorias que explicam como as pessoas perdem dinheiro no mercado financeiro, entre estas, destaco: a economia comportamental, e sua teoria da perspectiva (ou do prospecto); que aponta para fatores psicossociais que afetam no processo de tomada de decisão. Mas serei objetivo na resposta desta indagação: as pessoas perdem dinheiro em renda variável por ignorar o óbvio: a variação do preço no tempo. 

​Nenhuma ação ou ativo financeiro caiu ou subiu na história em linha reta. As oscilações não são ascendentes nem descendentes apenas, elas variam. A questão é entrar no momento exato, escolher boas empresas ou fundos, e ter paciência para sair no instante adequado. 

​O investidor deve focar inicialmente no tempo de investimento e seu motivo. Preciso deste dinheiro para quando? Qual é o horizonte que estou disposto a aguentar as oscilações do ativo? Em seguida, precisa conhecer os fatores que determinam o processo de precificação de um ativo, pois nenhum produto financeiro é apenas preço em si. 

​Nessa perspectiva, o investidor tem duas opções a considerar. A primeira é escolher por conta própria bons produtos financeiros dentro do horizonte de tempo previamente estabelecido, montando a sua própria carteira de ações, uso de derivativos e ETFs. Para isto, tem de conhecer Valuation, value at risk, como fazer hedge, o setor da empresa, a fim de estimar devidamente o valor e a viabilidade do investimento, levando em conta o caixa do negócio, o ritmo de crescimento, a taxa de desconto dos fluxos futuros, múltiplos fundamentalistas, bem como um pouco de análise técnica para ver o melhor ponto de entrada. 

​Além disso, precisa conhecer um pouco de contabilidade, ler balanços, relatórios, fazer projeções, conhecer um pouco de macroeconomia e microeconomia, saber calcular o risco, volatilidade, estimando as premissas que permitem entender o que está ocorrendo ao longo das sazonalidades domercado.

​A outra opção a considerar é entregar a um profissional, ingressando no mercado através de fundos de investimentos. Para isto, é preciso avaliar o histórico de rentabilidade (mesmo que a rentabilidade passada não garanta a rentabilidade futura), e o principal: é preciso se identificar com a filosofia do fundo, de modo que possa adequar suas expectativas, prazo e horizonte com o estilo do gestor, adequando seus sentimentos aos riscos de cada tipo de fundo. 

​O que o investidor não pode fazer em hipótese alguma, seja comprando ações por conta própria ou investindo em fundos de investimentos, é se assustar com uma perda sazonal, pois correrá sério risco não apenas de perder uma parte do capital, mais também uma grande oportunidade de lucro. 

​Quando o ativo é bom, quedas representam oportunidade para comprar mais barato, aumentando a posição e subindo o preço médio, o que levará a aumentar os lucros quando o ciclo de baixa ou ruído chegar ao fim. Grandes altas e grandes baixas se intercalam, e cabe ao investidor entrar no momento certo, sabendo que perdas sãosazonais e fazem parte do processo. Veremos isso na prática avaliando o gráfico abaixo de um dos maiores cases do mercado de ações dos últimos anos: Magazine Luiza. 

​Na Figura 2, no gráfico das ações da empresa Magazine Luiza, no período de 2011 a 2019 vemos a ocorrência de grande variação nos preços. Em agosto de 2014 a ação da empresa Magazine Luiza (MGLU3) valia R$ 9,14. Em novembro de 2015 as ações caíram ao preço de R$ 0,96. 

​Muitos investidores sem o devido conhecimento ou paciência perderam muito dinheiro com as ações da MGLU3. Enquanto isso consistiu em uma oportunidade para o investidor profissional comprar barato. O profissional analisou o balanço da empresa, fez o Valuation, estabelecendo o nível de risco suportável e a projeção da rentabilidade para determinado período. Foi aportando, na medida em que o preço subia lentamente ou, quando caia comprava ainda mais. 

​Em agosto de 2016, menos de um ano após a imensa queda, as ações chegaram a valer R$ 3,25. Um lucro considerável para quem comprou a R$ 0,96. E, muitos saíram nesse nível de preço. Outros, que compraram a R$ 9,14 não tiveram paciência e venderam neste nível de preço, perdendo boa quantia em dinheiro. Quem analisou a empresa estava feliz, e continuou comprando MGLU3 porque sabia que iria se valorizar mais, pois ainda não tinha chegado ao nível de preço justo. 

​De fato, isto ocorreu em maio de 2017, as ações da MGLU3 chegaram em R$ 33,18. Muitos venderam entusiasmados com os lucros extraordinários. Só que a empresa não parou de crescer. Em agosto de 2017 chegou aos incríveis R$ 72,80; já em agosto de 2018 houve uma nova queda significativa e foi a R$ 41,28 (outra oportunidade de desconto para se comprar mais); em outrubro de 2018 subiu de forma estratosférica chegando a R$ 171,13.

​Em março de 2019 uma pequena queda levou a ação a R$ 161,20 (antes do desdobramento de ações); em abril de 2019, as ações da MGLU3atingiu o topo histórico, chegando a R$ 202,36. Lamento muito na época da MGLU3 a R$ 0,96, poiseu ainda não estava trabalhando no mercado de capitais. Conheço um investidor que comprou MGLU3 a R$ 0,96 em 2015, e vendeu o seu imenso lote na faixa dos 197,00. Ficou milionário e se aposentou. Isso ocorreu porque ele tinha a compreensão acerca das oscilações do preço no tempo, e sabia que tinha uma grande empresa com potencial de valorização exponencial.

​O mesmo acontece com quem aplica em fundos de investimentos. Existem inúmeros casos de sucesso no exterior e no Brasil. Vou dar dois exemplos: um fundo americano e um brasileiro. Não existe fundo de investimentos no mundo com uma performance tão espetacular quanto o FidelityMagellan do Peter Lynch. De 1977 a 1990, o fundo deu um retorno de 29% ao ano em dólares (complica até calcular essa porcentagem no mercado brasileiro). Isso da quase 2.500% de rentabilidade no período.

​No meio desta alta espetacular de 2.500% no período, houve meses de queda de 27%, 14%, 19%, 20%, isso matou o despreparado, o aventureiro, e o cara que não tinha o perfil deste fundo. Quando houve um mês negativo, a pessoa saiu correndo e realizou um prejuízo. 

​No mês seguinte o fundo subiu muito, a pessoa voltou, e no primeiro mês de queda, novamenterealizou mais um prejuízo. Daí a pessoa procura outros fundos, e faz o mesmo, até perder parte significativa do capital. Por causa disto, 58% das pessoas que investiram no Fidelity Magellan do Peter Lynch perderam dinheiro. Mas, 42% que investiram, tiveram paciência, não se abalaram com quedas mensais, ganharam muito dinheiro, aproveitando no todo ou em parte, a espetacular rentabilidade de 2.500%. 

​Outro exemplo é o fundo brasileiro de longo prazo Alaska Black. Trata-se de um fundo volátil, extremamente agressivo e para longo prazo (mínimo de seis anos). Esse fundo de 2012 até 2018, vem dando uma rentabilidade superior a 400%. Mas, por incrível que pareça, vários investidores perderam dinheiro no Alaska. Isso porque o Alaska teve meses negativos como todo fundo geralmente tem. Tipo: caiu 10%, o investidor aventureiro se assusta. Caiu mais 15% ele saca. Ao invés de ganhar dinheiro no médio e longo prazo, realiza um prejuízo no curto prazo. Em 2015, o Alaska chegou a ter 5 meses seguidos negativos. Quem se assustou perdeu a forte alta. Quem segurou, e desejou sair em 2019, teve um lucro de mais de 400% em seis anos.  

​Os investidores perdem dinheiro porque ignoram os ciclos do mercado, as oscilações do preço, ou ainda não sabem escolher bons fundos de investimentos ou boas ações. Às vezes, quando escolhem boas empresas ou fundos, não tem estômago para aguentar as fases de baixa. Acham que a rentabilidade é sempre crescente e, em linha reta. Não é. Sempre haverá baixas no caminho, mas são sazonais, passam por correções naturais, evoltam a subir. Não existe rentabilidade positiva todo mês. Isso poderá durar um período, e se manter assim na média, mas um mês negativo, ou com rentabilidade baixa é normal na renda variável. 

​O investidor que age por impulso faz tudo ao contrário: vende nas baixas do mercado (quando deveria comprar mais), e compra nas altas (quando deveria vender). Por causa disto, tenho um lema para ações: compramos quando todo mundo quer vender, e vendemos quando todo mundo quer comprar. Em derivativos (dólar e índice, por exemplo,) a lógica é oposta: compramos quando sobe, vendemos quando desce. 

​É preciso aguentar as oscilações do preço no tempo, pois só assim é possível adquirir alta rentabilidade, seja formando por conta própria uma carteira de ações, ou aplicando em fundos de investimentos. 

​O investidor precisa primeiro descobrir o seu perfil de investimento, e procurar um fundo e gestor que se adeque ao seu perfil. Caso opte por tomar risco, precisa reservar uma parte de seu capital para segurança. Nunca colocar todo o capital em um só lugar. Sempre reservar ao risco uma parte que venha remunerar o todo do capital, sem correr risco sistêmico. Fundos de Investimentos é a porta para o investidor que não dispõe de conhecimento técnico para adentrar sozinho no mercado de renda variável. 

​Além disto, é preciso avançar na educação financeira em nosso país, desmitificar as lendas acerca do mercado financeiro, combater as fraudes que prometem lucros elevados e rápidos (as famosas pirâmides, não as egípcias), e incentivar as pessoas a investir, a planejarem os seus gastos, elencando prioridades, metas, de modo que possamdesfrutar das condições confortáveis que os juros compostos podem proporcionar no longo prazo através dos investimentos realizados ao longo da vida.

Fábio Almeida,

Economista.

Elielson Lima 31 out 2019 - 12:27m

Comentários

Pesquisar

Publicidade

Curta no Facebook

Publicidade

Arquivos do Blog