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Economia Economia | O otimismo exagerado do Mercado brasileiro

Economia | O otimismo exagerado do Mercado brasileiro

Publicado em: 03/10/2019 - 14:32m


​Impressionante o otimismo reinante no mercado brasileiro, como se o Brasil fosse uma ilha isolada do mundo. Pessoas com uma posição neutra em Bolsa são chamadas de pessimildos. Nada como uma forte queda(-2,90%) do Ibovespa ocorrida no dia 02/10 para trazer muitos à realidade.

​É assimetria de informações ou vírus de Panglossque tem assolado analistas do mercado financeiro? Como geralmente são muito bem informados, é realmente síndrome de Pangloss, da obra-prima de Voltaire (Cândido, o otimista), que para ele tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. Os analistas brasileiros parecem que estão cultivando em excesso o seu próprio jardim. 

​O Bradesco BBI estima o Ibovespa a 122 mil pontos no final de 2019. O Merrill Lynch prevê a bolsa a 120 mil pontos. Enquanto que o BTG Pactual prevê a bolsa a 119 mil pontos. A XP Investimentos estima que a bolsa brasileira poderá alcançar em dezembro os 115 mil pontos, e os 140 mil pontos em 2020. A corretora MiraeAsset projeta para o final deste ano a bolsa a 124 mil pontos e, 150 mil ao final de 2020. 

​Esperam uma aceleração do crescimento econômico, e um aumento do lucro das empresas na medida em que as reformas avançam. Isto resultará na redução da percepção de riscos por parte dos estrangeiros, fazendo assim, um caminho bastante construtivo para economia do país. Minha previsão: se a bolsa se mantiver entre 100 mil e 103 mil estará de excelente tamanho para 2019. Isso porque EUA e China utilizarão alguns drives para postergar a recessão global.

​Parece que não estamos no maior Bull Marketda história; que as reformas avançam em ritmo acelerado; nossa economia se recupera da maior recessão da história em progressão geométrica; a equipe econômica sabe realmente o que fazer; nosso problema fiscal está prestes a ser resolvido; o endividamento de todos os entes da federação quase solucionado. Infelizmente, só parece. É mais torcida que análise! É Pangloss na veia! 

​Eu, como bom pessimildo não ignoro os fortes sinais de desaceleração da economia mundial, com a Europa prestes a entrar em recessão; o que enfraquecerá ainda mais a economia chinesa e americana. Abaixo, na figura 1, a inversão da curva de juros dos últimos 30 anos.

​​Figura 1 – Curva de Juros dos últimos 30 anos.

​Na figura 1, é possível perceber desde 1990, os juros de 10 anos dos EUA (branco), Reino Unido(laranja), Japão (amarelo) e Alemanha (verde). Todas as curvas estão fortemente inclinadas. Como o Brasil não é uma ilha está acompanhando a tendência global, a taxa Selic deve fechar em 4,5%, pois se trata de um movimento estrutural, mesmo que de médio prazo. Porcausa desta taxa de juros, países como Brasil terão imensas dificuldades em se financiar, porque ninguém irá comprar título do Tesouro com uma rentabilidade negativa. 

​Guerra Comercial, possibilidade de conflito no Oriente Médio, crise na Argentina, Brexit, desaceleração forte da economia global, inversão da curva de juros nos EUA, endividamento elevado em quase todos os países do mundo. Todavia, diversos setores do mercado projetam a economia brasileira como uma Ilha que sairá incólume dos problemas globais. Não me parece otimismo, apenas princípio da negação, ou, devem estarpendurados em posições compradas. Na figura 2, logo abaixo, vemos a desaceleração da industrial em todo planeta, o que é um sinal forte de recessão. ​

​​​Figura 2 – Produção Industrial no Mundo.

​Na figura 2, é possível perceber que a indústria de toda Europa desacelerou fortemente, principalmente na Alemanha. Além disto, é possível perceber que países como China, Índia, Canada e EUA ainda tem um PMI positivo, mas bastante inferior à média dos últimos anos. Além disto, os líderes do PMI no mês de setembro foram Grécia e Brasil, dos países com indústrias irrelevantes a nível internacional. Quando países irrelevantes lideram o PMI global, sinal que a situação está muito feia. 

​A Guerra Comercial é muito mais complicada do que se imagina. Uma trégua entre China e EUA trará apenas um refresco de meses. Questões estruturais da política chinesa, e problemas na política americana impedem que os países entrem em um consenso. A China até gostaria de ceder às exigências, mas não tem como por questões domésticas. Ambos os países perdem. A China mais do que os EUA, que poderão tirar as fábricas da China e leva-las para Camboja, Vietnã, Laos. 

​Somando-se a isto, as tarifas anunciadas em meio a Guerra Comercial dos dois lados, gera um ambiente de incertezas que freia o investimento por parte dos empresários, uma vez que ninguém está disposto a fazer investimentos em meio a uma guerra de tarifas, que envolve roubo a propriedade e, acusações de espionagem e roubo de produção tecnológica. 

​Outro barril de pólvora é a crise geopolítica no Oriente Médio que poderá levar o petróleo a patamares elevados, o que traria imensas complicações para o Brasil. Primeiro porque iria afetar diretamente na inflação. Segundo porque a política de preços da Petrobrás seria afetada por causa das questões políticas dos caminhoneiros que fazem parte da base de sustentação do governo Jair Bolsonaro. Se, os preços acompanham o preço internacional, os caminhoneiros irão deflagrar greve, com graves consequências para nossa economia. Se, a Petrobrás segura o preço, esta irá quebrar e trazer sérias consequências para nossa economia, além da perda do que resta de credibilidade da equipe econômica. 

​O Brasil tem mais caminhoneiros do que realmente precisa. Foi de uma irresponsabilidade o que fizeram neste setor. Além disto, a frota de veículos cresceu cerca de 40% nos últimos 15 anos, enquanto o PIB cresceu apenas 9%, o que contribuiu para agravar ainda mais o problema. Não há equilíbrio de mercado, ou seja, há um excesso de oferta. Em poucos meses, a crise com caminhoneiros irá estourar, porque há um desrespeito a uma lei básica da microeconomia e, não há tabela de frete, Petrobrás, e governo que resolva. Ou se corrige duramente, ou o país ficará refém dos caminhoneiros, que contribuirão para levar o país à nova recessão. 

​Como se o cenário internacional não fosse ruim, ainda há o Brexit. Caso o Reino Unido saia da Europa sem acordo, será um verdadeiro desmanche do sistema financeiro da Europa, com graves consequências para o mundo. Haverá fuga bancária para outros países, bem como aumento das exportações britânicas de 0% para 10% com um impacto significativo na economia e na inflação do continente. Por causa disto, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, lançou um pacote de estímulos monetários para retardar os efeitos nefastos desta crise. 

​Além disto, cabe ressaltar que o comércio internacional brasileiro com a Europa é forte. Sem a Europa nossa balança comercial degringola. E, a crise do Brexit vai balançar forte todo continente europeu que já dá sinais claros de desaceleração nos motores de sua economia: Inglaterra e Alemanha.  

​Por fim, o rendimento das taxas de juros dos títulos americanos encontra-se invertidos há mais de 100 dias. Todas as vezes que isso ocorreu na história houve recessão nos EUA e, consequentemente, no planeta. Além disto, as empresas norte-americanas nunca estiveram tão alavancadas e, por isso, o nível de investimento vem caindo. Para não deixar as ações desvalorizarem, as empresas estão recomprando suas ações. Tomam dinheiro a custo baixo e investem no mercado financeiro. Se o dividendo por ação ao serdividido pelo preço de cada ação cair, isso deixa de fazer sentido. 

​É uma operação conhecida como share buyback, em que a empresa recompra a ação e põe em Tesouraria. Na medida em que o cenário internacional piora, e as curvas de juros americanas ficam cada vez mais invertidas, haverá uma grande venda de ações para fazer caixa ou reduzir posições e ajustar os hedges. Isso fará com que o mercado desabe. E, o crédito das empresas irá despencar. 

​Diante de tudo isso, acreditar em Ibovespa nas nuvens é ingenuidade, crença, ou defesa de interesses, tentando atrair o que se chama no mercado de sardinhas para comprarem caro. Não acredito que uma recessão global possa ser deflagrada antes da eleição americana. Mas, para mim, no primeiro trimestre do ano que vem, os bonds começarão a sofrer muito. Em seguida, serão as moedas que poderão ser depreciadas. E, por último, as ações e, a economia real. Serão estas as quatro etapas para deflagração da grande recessão. 

​O analista brasileiro que ignora tudo isso, demonstra excesso de otimismo ou falta de vergonha na cara. Talvez as instituições para as quais trabalhem estejam entupidas de títulos públicos, de ações de empresas como Petrobrás, Vale, Banco do Brasil, ou;estejam comprados em Ibovespa, Índice, Bova 11 e outros derivativos e ETFs. Quando vier o dilúvio, eles precisam das sardinhas para vender. 

​Em um cenário tão difícil, inseguro, complexo, a posição de todo analista responsável é pregar neutralidade. Esperar os pequenos movimentos e surfar seja comprado ou vendido, sem se comprometer com posições. Assim, a maré virá e não nos pegará nadando nus. Têm muitos bancos, corretoras, e grandes fundos de investimentos que estão completamente nus. Estão apenas na torcida para que o Bull Market dure mais dois anos, e consigam repassar para sardinhada seus ativos no topo e, em pré Bear Market. 

Fábio Almeida,

Elielson Lima 03 out 2019 - 14:32m

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