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Economia #Economia Os recados vindos do Chile

#Economia Os recados vindos do Chile


​É estarrecedor o que vem ocorrendo no Chile não apenas pela proporção e tamanho, mas também pelas consequências que poderão advir. O discurso ideológicosobre os acontecimentos não passa de papo furado para ludibriar os ingênuos. 

​Como ocorreu no Brasil em 2013, a onda de protestos no Chile teve início a partir do aumento de 800 para 830 pesos no preço da passagem de metrô (menos de R$ 0, 20 centavos em Real). São milhares de pessoas nas ruas, em uma verdadeira convulsão social, com 1.420 pessoas presas, 84 feridas a tiro, e 18 mortes nos protestos, incluindo uma criança de 5 anos. Os protestos são os maiores já ocorridos na história do Chile. 

​O governo errou ao reprimir com força descomunal o movimento, gerando uma revolta ainda maior que explodiu por causa das redes sociais, gerando uma massa que protesta por tudo: da redução de tarifas até pedindo a renúncia de Sebastián Piñera. 

​É uma tarefa complexa entender o que vem ocorrendo lá, pois o Chile é o único país do continente que está prestes a adentrar no time dos países ricos. Os chilenos não estão apenas se rebelando contra o custo dos transportes, mas também por causa da falta de saúde e educação públicas, bem como das complicações de seu sistema previdenciário. Esse movimento tem sido atribuído erroneamente ao fracasso do modelo econômico que foi desenvolvido na ditadura de Augusto Pinochet, e vem sendo mantido ao longo das décadas por todos os governos, sejam eles da suposta direita ou da suposta esquerda. 

​O argumento que usam é que houve um aumento da desigualdade no Chile. Esse argumento é uma falácia. Argumentam: o Chile se tornou o país mais desigual da América Latina. Falso. O índice Giniassegurou que em 2003, a desigualdade era de 0,51 no Chile, no Brasil era de 0,56, e na América Latina era de 0,52. Ou seja, o Chile era o país menos desigual da América Latina.  Em, 2017, o índice de Gini caiu no Chile para 0,45, no Brasil para 0,54, e na América Latina para 0,47. O Chile não é apenas o país menos desigual da América Latina, mas o que teve uma redução maior, sendo o Brasil um dos países com menor queda da desigualdade social de 2003 até os dias atuais. 

​Todavia, cabe destacar que houve aumento da concentração de renda, fenômeno que pode ser verificado em toda América Latina. Em 2006, os 10% mais ricos da população ficavam com 31% da renda chilena. Em 2017, com 39%. Isso não quer dizer que a pobreza tem aumentado, pois isso está relacionada às taxas de crescimento econômico. Desde os anos 1980 a pobreza chilena caiu de 40% para 10%. A inflação está sob controle a mais de 20 anos. A taxa de juros caiu para 1,7%. Há menos pobres no Chile que em todos os países latino-americanos. 

​Alguns analistas apressados asseguram que o que vem ocorrendo no Chile é fruto das aposentadorias, pois estes recebem em média 34% do salário de contribuição. É realmente pouco, quando comparado ao Brasil (70%), Argentina (87%) e Índia (87%). Mas, quando comparado com países ricos, o Chile segue a tendência mundial, pois no Japão os aposentados recebem apenas 35% do salário de contribuição, Rússia (34%), EUA (38%), Alemanha (38%), Reino Unido (22%), México (26%), Austrália (22%). 

​O sistema de aposentadoria chileno segue a tendência dos países ricos, pois a cultura é de poupar e investir ao longo da vida, não de viver especificamente de uma aposentadoria. Isso fica para países pobres, ou países que querem colapsar o seu regime de previdência, como é o caso do Brasil. A contribuição do chileno para aposentadoria é de 10% do salário. No Brasil, a título de comparação, são 11% do trabalhador, mais 20% do empregador. 

​O problema da baixa aposentaria não foi acapitalização, mas o nível de contribuição (apenas 10%). No Brasil, por exemplo, é de 31% (somando as contribuições do empregado e empregador).

​Outro mito difundido é sobre as taxas cobradas pelos fundos privados de pensão. As taxas estão entre 0,7% e 1,5%, são taxas padrões compatíveis com instituições financeiras de todo mundo. Colocar a culpa nas baixas aposentadorias chilenas nos lucros dos bancos é argumento de grêmio estudantil de descerebrados. Enfim, chilenos recebem menos porque contribuem menos, e segue a tendência mundial de países ricos, clube que o Chile entrará no máximo em três anos, se mantiver o nível de crescimento do PIB atual. 

​Quando se compara o Chile com seus pares da América Latina é imensa a discrepância. O crescimento médio do PIB por pessoa desde 1980 até os dias atuais no Chile é de 2,96%. No Uruguai foi de 1,91%, Colômbia (1,79%), Paraguai (1,60%), Peru (1,53%), Bolívia (1,04%), Brasil (0,88%), Argentina (0,61%), e Venezuela (- 0,23).  Na figura 1, logo abaixo, vemos o crescimento acumulado de 1980 até os dias atuais do PIB per capita da América Latina. 

Figura 1 – PIB per capital acumulado.

​De acordo com a figura 1, o crescimento acumulado do PIB per capita de 1980 até os dias atuais no Chile foi de 210%. No Uruguai (110%), Colômbia (100%), Peru (87%), Paraguai (80%), Bolívia (50%), Equador (42%), Brasil (40%), Argentina (29%), e Venezuela (- 10%). Em termos de crescimento per capita, o Chile cresceu 5vezes mais do que o Brasil. Por este dado, percebe-se o óbvio: Paraguai, Bolívia, Equador, Brasil, Argentina e Venezuela são os países mais pobres da América Latina. E, pasmem: o Brasil está entre os três piores.

Figura 2 – Comparativo entre Chile x Brasil.

​Na figura 2, vemos que os dados do Brasil são absolutamente vergonhosos quando comparados aosdo Chile. Todos os indicadores de renda, trabalho, saúde e educação demonstram que o Chile encontra-se em outro patamar de riqueza e civilidade. 

​A revolta chilena é fruto de uma percepção bárbara vigente nas redes sociais, e que tem levado sociedadesno mundo todo a cometerem loucuras, como o Brexit, que nem foi implementado ainda e já custou quase um trilhão de reais. Depois de finalizado, irá custar muito mais para o Reino Unido e Europa. 

​Essas loucuras resultam de manadas que se formam nas redes sociais e tomam as ruas ou as urnas, movidas por ódios, frustrações, desconhecimento da realidade e da economia, com soluções simplistas para problemas complexos, exigindo muitas vezes de governantes o impossível, ou esperando um justiçamento consagrador que acabe com a corrupção em um passe de mágica, e apenas homens bons e probos assumam o parlamento, mesmo que estas pessoas não votem em tais varões de Plutarco. 

​A grande maioria destas revoltas populares movidas pelas redes sociais não produzem efeitos positivos para a sociedade. E, quando vão parar nas urnas, elegem demagogos de todos os vieses ideológicos. Vejam os movimentos separatistas em Barcelona, a revolta no Líbano, a manada insurgente no Equador, nenhuma destas sociedades terá benefícios reais com estes movimentos, nem muitos menos ganhos institucionais e econômicos. 

​A revolta do Chile é fruto dos supostos formadores de opinião de redes sociais, e de movimentos oportunistas políticos que querem faturar dividendos eleitorais. Os chilenos, a institucionalidade chilena, e a economia não terá nenhum benefício com a barbárie que irrompida nas ruas, e muito menos com a covardia e a barbárie promovida pelo exército chileno contra os manifestantes. 

​A sociedade chilena não tem motivos para estar em polvorosa, pois caminham celeremente para o mundo dos ricos. Só que o irracionalismo, a ignorância, e falta de conhecimento que impera nas redes sociaisdeflagraram a pólvora, mas sem ter alguma solução factível para os problemas ainda enfrentados pela sociedade chilena. Não é nas ruas que se encontram soluções para problemas complexos.

​O Chile é um caso de sucesso, foi um dos maiores beneficiários da abertura econômica, da globalização, reorganizou suas finanças, as atividades econômicas em torno de exportações, adotando um modelo que gerou riqueza, tirando milhares da pobreza e misériaabsoluta, fazendo com que a renda da população seja ambicionada pelos demais países latino-americanos. 

​As lições do Chile são óbvias: a suposta sabedoria imperante nas redes sociais, repleta de especialistas em todas as áreas, pois entendem de física quântica aos problemas na saúde, podem levar um país a colapsar.

​ No caso do Brasil, o resultado será catastrófico, por motivos óbvios: temos uma economia absolutamente desestruturada, número estratosférico de desempregados, e ainda não vencemos os resultados nefastos da pior recessão da nossa história. 

Fábio Almeida, 

Economista.

Elielson Lima 24 out 2019 - 21:44m

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