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Economia A economia em 2019

A economia em 2019

Publicado em: 26/12/2019 - 8:44m

Por Fábio Almeida*

O ano de 2019 começou bastante eufórico e terminará bastante eufórico na área econômica. Infelizmente, só euforia, os resultados estão bastante aquém. As metas, projeções, cenários traçados no início do ano sequer chegaram perto de serem atingidos, mas poderia ter sido bem pior. A economia começa a dar sinais de recuperação. Algumas reformas foram feitas. Mas há muita coisa por fazer, e o grave problema fiscal está longe de uma solução encaminhada.

            A reforma da previdência foi aprovada. O resultado almejado de uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos não foi alcançado. A economia gerada pela reforma é de R$ 800 bilhões em 10 anos. Só que em 10 anos o déficit da previdência será de R$ 5 trilhões de reais. Em 5 anos, sendo bastante otimista, o Brasil terá de passar por outra reforma da previdência ainda mais dura do que a que foi aprovada.

            O cenário externo também não ajudou muito. A Europa dá sinal de desaceleração em sua economia, e a guerra comercial entre EUA e China, afora as promessas de resolução de ambos os lados, parece ainda está longe de um acordo promissor.  

            Outro fator preponderante foi a queda dos juros. O Brasil passou a seguir a tendência mundial de juros baixos ou negativos, e temos a menor taxa Selic da história – 4,5%. Isso também se deveu ao fato da inflação está baixa, dando liberdade para o Banco Central cortar juros. A inflação está abaixo da meta, em boa parte, isto é resultado do baixo crescimento econômico.

            A tão sonhada retomada do emprego vem sendo feita de maneira lenta. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) foram gerados no Brasil em 2019 1,2 milhões de empregos com carteira assinada. Um avanço, mas ainda assim um resultado desanimador diante da montanha de desempregados, e com mais de 40% da população brasileira na informalidade.

            Sem crescimento econômico, as empresas não investem, os consumidores não consomem, e o resultado é desemprego, e informalidade. Embora recuando, a taxa de desemprego terminará o ano acima de 11%, com persistência do desalento (acima dos 4%), e também com cerca de 38 milhões de brasileiros vivendo na informalidade.

            Assim como anteriormente, as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foram sendo reduzidas ao longo do ano. Expectativas que começaram bastante otimistas. Em janeiro, o relatório Focus do Banco Central estimava um PIB de 2,55%, agora, é esperando um crescimento em torno de 1,12%.

            Outro fator relevante na economia em 2019 foi o dólar. A previsão do mercado no início do ano era que fecharia em torno de R$ 3,80. Ao que tudo indicada fechará o ano acima dos R$ 4,00. Em novembro, chegou a bater recordes nominais sucessivos, atingindo a maior cotação da história – R$ 4,2584.

            A atividade industrial patinou durante todo o ano de 2019. Todavia, o terceiro trimestre teve uma alta de 0,4%, e o quarto trimestre também deverá ser de alta. Esse resultado é extremamente modesto, tendo em vista que o país ainda se recupera da maior recessão de sua história e, portanto, vem de uma base bastante baixa, além de capacidade instalada girando em mínimas históricas.

            A agenda de privatizações do governo é pífia. Muito discurso, e pouco resultado. Foi um verdadeiro fracasso nesta área, pois se dizia que iria ser o governo que mais iria privatizar. Entregou apenas algumas concessões e vendas de subsidiárias. Temer privatizou mais do que o atual governo. Espera-se que em 2020 essa agenda avance junto com a reforma do Estado, e a busca por maior eficiência do gasto público.

            Espera-se também que em 2020 o problema fiscal brasileiro seja tratado de maneira efetiva, para só então, ir cuidar da reforma tributária (não vejo sentido tratar de reforma tributária sem resolver o problema fiscal). Além de medidas que ataquem o spread bancário, reduzam burocracia, criem marcos legais que promovam o empreendedorismo, maior eficiência e controle do gasto público, e resolva o problema do endividamento crônico de estados e municípios.

            Houve sim algumas coisas boas na área econômica, já frisadas aqui. Foi realizado muito menos do que foi inicialmente prometido para um país como o Brasil, com tantos problemas econômicos estruturais, injustiças sociais, e uma série de desequilíbrios que precisam ser atacados com maior ênfase.

            Em resumo, a economia brasileira começa a demonstrar sinais de recuperação em 2019, só que de forma lenta, passando por altos e baixos, devido a discursos, confusões e falta de agenda do governo em vários momentos. É preciso focar no que realmente importa, e fazer as reformas que o Brasil precisa, tendo em vista a completa desestruturação econômica, social, e estrutural do Estado.

            Esperamos que a agenda econômica continue avançando de maneira mais rápida, com clareza e objetividade, tendo coragem de enfrentar grupos de pressão, e todos aqueles que se utilizam do Estado para se beneficiar. Corporações, grupos empresariais e de categorias de servidores públicos (me refiro à elite do funcionalismo público) precisam entender que o Estado não pode continuar destinado a servi-los, pois este precisa se voltar aos mais pobres, buscando estabelecer marcos legais que estimulem a produtividade, a criatividade, a tecnologia, a preservação do meio ambiente, a inovação, e o crescimento saudável da economia.

PS: Quero agradecer aos leitores e renovar os votos pela confiança e estima demonstrada ao longo de 2019. E, que em 2020 voltaremos com tudo! Feliz Natal e próspero 2020 para todos! Entramos de férias e só retornaremos a coluna na segunda semana de janeiro. Abraço e até lá!

*Economista.

Elielson Lima 26 dez 2019 - 8:44m

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