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Historiando Historiando | 33 anos sem o Mestre Solon

Historiando | 33 anos sem o Mestre Solon


Por Rodrigo Sávio*

No dia 07 de julho de 1987, há exatos 33 anos, perdíamos uma das maiores referências da arte do mamulengo: Solon Alves de Mendonça, mais conhecido como Mestre Solon. Ele, além de deixar um importante legado cultural, foi responsável por elevar o nome de sua cidade, Carpina-PE, no cenário estadual e nacional.

Solon nasceu há 100 anos, mais precisamente no dia 25 de fevereiro de 1920. A relação dele com os bonecos começou quando tinha 8 anos de idade, ao assistir pela primeira vez uma apresentação do Mamulengo de Chico Presepeiro, também conhecido como Chico da Guia, ficando fascinado com aquela brincadeira de bonecos.


No ano de 1937, criou o Mamulengo Invenção Brasileira, apresentando-se tanto em Carpina quanto em muitas outras cidades do Estado.


Com o tempo, Mestre Solon passou a ser conhecido não somente em Pernambuco, mas também no cenário nacional e no exterior. Seus bonecos já foram expostos em Atlanta, nos Estados Unidos. Além disso, vale ressaltar que ele criava os próprios bonecos e as histórias que animavam as suas apresentações. Ao longo dos anos, confeccionou 120 personagens diferentes para as suas 25 histórias. Solon destacou-se também pela produção de bonecos movidos mecanicamente, na qual, através de tal método, procurava reproduzir cenas que faziam parte da realidade nordestina, como era o caso das casas de farinha, dos grupos de cangaceiros, entre outras.


Ao longo de sua vida, Mestre Solon fez apresentações e participou de eventos em várias partes do Estado de Pernambuco e também do país. Como exemplo, podemos citar apresentações na Casa da Cultura, no Recife, em fevereiro de 1981; participação no Festival Internacional de Bonecos, no Maranhão, em julho de 1983; presença na Feira da Providência, no Rio de Janeiro, em outubro de 1983; temporada de apresentações em Minas Gerais, em abril de 1985; e apresentação no Festival Brasileiro de Teatro de Bonecos, no Paraná, em julho de 1985.

Solon também recebeu, no decorrer de sua trajetória, homenagens e reconhecimento por seu trabalho. Em maio de 1984, por exemplo, o presidente da Fundaj, Fernando de Mello Freyre, o agraciou com a Medalha do Mérito da Fundação Joaquim Nabuco – honraria criada para homenagear aqueles que prestaram relevante contribuição à cultura brasileira, especialmente do Norte/Nordeste.

Mestre Solon morreu no dia 07 de julho de 1987, vítima de atropelamento em Brasília. Naquele momento, participava de um evento (estava representando Pernambuco na Feira dos Estados) a convite da Cruzada de Ação Social deste Estado.

Infelizmente, na cidade onde o artesão morou, não há o reconhecimento esperado. Em julho de 2017, o acervo do mestre foi doado para o Museu do Mamulengo, localizado em Olinda. Segundo a família, esta foi uma forma de ver a obra de Solon valorizada, já que as gestões municipais de Carpina não se prontificavam em receber e cuidar das obras.

Em fevereiro deste ano, o autor destas linhas, através da página “Carpina – Capital da Mata Norte”, no facebook, realizou uma série de publicações como forma de homenagear o centenário do mestre. Essas postagens incluem textos, fotos e vídeos de época que mostram Solon e sua arte.

Imagens: Reprodução / Página “Carpina – Capital da Mata Norte”

*Graduando em História (Bacharelado), pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Criador da página “Carpina-Capital da Mata Norte”, com o objetivo de divulgar de forma mais ampla aspectos da história, da cultura, das pessoas e das belezas naturais do município do Carpina-PE.

Elielson Lima 07 jul 2020 - 21:13m

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