Governo – Pandemia não acabou
Historiando Historiando | Descrição da povoação do Paudalho, em 1787

Historiando | Descrição da povoação do Paudalho, em 1787


Por Rodrigo Sávio*

Na data de hoje a cidade do Paudalho, na Mata Norte de Pernambuco, comemora 209 anos de emancipação política. Foi através do Alvará Régio de 27 de julho de 1811 que o príncipe regente, Dom João VI, elevou a localidade à categoria de vila. 

No período colonial, quando uma povoação ganhava esse status, ela de fato conquistava sua autonomia político-administrativa: passava a contar com uma Câmara, a qual era formada por dois Juízes Ordinários, vereadores e Procurador, além de Almotacés (funcionários que exerciam atividades administrativas e judiciárias). Também eram erigidas a cadeia e o pelourinho (símbolo da liberdade municipal).

Ademais, as rendas e direitos que nessas povoações pertenciam às Câmaras das vilas e cidades das quais elas faziam parte, passavam, a partir da elevação, a pertencer ao distrito desmembrado da vila recém-criada.

Além de Paudalho, o Alvará Régio de 27 de julho de 1811 elevou à categoria de vila mais 3 povoações da então Capitania de Pernambuco: Cabo de Santo Agostinho, Vitória de Santo Antão e Limoeiro. Ainda de acordo com essa lei, o termo da vila do Paudalho, ou seja, a área total da vila, compreendia “os distritos das Freguesias do Paudalho e da Luz e a parte da Freguesia de S. Lourenço, que fica superior à confluência do Riacho Massiapé no pequeno Rio Capibaribe. ”

Contudo, essa ideia de transformar Paudalho em vila já vinha sendo levantada anos antes. Em 1787, o Ouvidor da Capitania de Pernambuco, Antônio Xavier, em ofício encaminhado ao Secretário de Estado da Marinha e Ultramar, Martinho de Melo e Castro, fala sobre a situação da Justiça em algumas localidades, mostrando quão era dificultosa a distribuição da mesma no interior da Capitania, justamente pelo modo em que estava repartida a administração (muitos criminosos ficavam impunes devido à distância que havia entre a povoação, onde ocorria o delito, e a sede da vila a qual ela pertencia). 

Ao longo do texto, o Ouvidor argumenta que, para melhorar a aplicação da Justiça em Pernambuco, seria necessário a elevação de algumas localidades à categoria de vila. Dentre essas localidades, está Paudalho, a qual ele faz uma importante descrição de seu desenvolvimento. Para uma melhor compreensão, a transcrição do documento foi feita em ortografia atualizada e com explicações, entre colchetes, no decorrer do texto:

[…]

Além do que tenho exposto a Vossa Excelência a respeito do sertão [no período colonial, o sertão era designado como aquele lugar distante do litoral], parece-me também necessário tratar do que seria conveniente fazer-se ao redor desta Praça [refere-se ao Recife].Distante dela 10 léguas há uma grande povoação chamada Paudalho, onde há todas as semanas uma feira, tem lojas de fazendas, tavernas, e muito comércio de todos os gêneros da terra. A povoação tem mais de quatrocentos fogos [residências; habitações], e nas suas vizinhanças, tem muitos engenhos de açúcar e toda a sorte de lavouras, do que se segue, que entre tanta gente útil, se encontram muitos vadios, ociosos e por consequência ladrões, e homicidas do que resulta serem ali muito frequentes os roubos, os assassinos, os estupros, os raptos, e toda a sorte de insultos.

Nesta povoação se faz já indispensável o erigir umavila, pelas mesmas razões, que disse a respeito do sertão. O termo que se lhe deve dar pode tirar-se a Olinda, e Igarassu, que são em extremo dilatados.

[…]

Parabéns a todos os paudalhenses!

Imagens: 

(1) Praça Joaquim Nabuco, também conhecida como Praça do Rosário (1913).

(2) Trecho do ofício do Ouvidor da Capitania de Pernambuco, Antônio Xavier (1787).

*Graduando em História (Bacharelado), pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Criador da página “Carpina-Capital da Mata Norte”, com o objetivo de divulgar de forma mais ampla aspectos da história, da cultura, das pessoas e das belezas naturais do município do Carpina-PE. 

Elielson Lima 27 jul 2020 - 11:44m

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