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Domingando Arraes e Hugo Chávez

Arraes e Hugo Chávez

Publicado em: 08/11/2020 - 7:23m

Por Ítalo Rocha Leitão*

A noite daquela sexta-feira , 11 de abril de 2002, estava bem tranquila para os brasileiros. Bares cheios, trabalhadores voltando pra casa depois de uma semana de dureza, famílias nas estradas em busca de um fim de semana de descanso. Mas, na vizinha Venezuela, o clima era de terror. Na capital Caracas, os opositores de Hugo Chávez promoviam buzinaço e panelaço para comemorar a queda do presidente da República. Na realidade, o coronel Chávez havia sido sequestrado por um grupo de generais da extrema direita venezuelana.


O golpe, que durou menos de 48 horas, foi comunicado de imediato à Imprensa internacional. No Brasil, os jornalistas deflagraram uma busca frenética pelos líderes de esquerda. O então deputado federal Miguel Arraes, presidente nacional do PSB, era o mais procurado. E foi nessa busca dos repórteres por Arraes que veio à tona no Recife o lado cômico do efêmero golpe venezuelano.

Os telefones não paravam de tocar na residência do ex-governador. Não está, ainda não chegou, não sabemos a que horas vai voltar – eram essas as respostas que os inúmeros jornalistas ouviam.
O tempo ia passando e a angústia dos repórteres só fazia aumentar. Até que, já perto das onze da noite, Miguel Arraes foi localizado. Estava na casa de Marcos Arraes, um dos seus dez filhos. As dezenas de ligações foram redirecionadas para o apartamento de Marcos, no bairro do Espinheiro. Arraes se dispôs a receber os jornalistas.

O problema era na hora de Marcos Arraes passar o endereço para os jornalistas: RUA VENEZUELA, EDIFÍCIO CARACAS…..Não, isso é brincadeira, isso é trote!, diziam os repórteres com algum ar de frustração. Podem vir, eu juro que estou dizendo a verdade, replicava Marcos até convencer os repórteres de que o endereço era aquele mesmo e tudo não passava de uma grande coincidência.
A entrevista de Arraes condenando o golpe na Venezuela foi para as primeiras páginas dos jornais, saiu em rádio e TV do Brasil e do exterior. 

Miguel Arraes de Alencar, prefeito do Recife, deputado e três vezes governador de Pernambuco, nasceu num pequeno município do Interior nordestino chamado Araripe, no Sertão cearense. Migrou ainda muito jovem pro Rio de Janeiro e, em seguida, pro Recife.
Ao ser deposto pelo golpe militar de 64, durante seu primeiro mandato de governador, passou 15 anos exilado na Argélia. Período em que ficou amigo de Fidel Castro, Olof Palme, Yasser Arafat, Pablo Neruda, François Mitterrand e chegou a ser sócio do ex-presidente de Portugal, Mário Soares, com quem abriu uma livraria, em Paris. Ou seja, o menino que nasceu nas brenhas do Ceará se tornou cidadão do Mundo !!!

*Jornalista da TV Globo

Elielson Lima 08 nov 2020 - 7:23m

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